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Maria do Carmo Barreto Campelo de Mello

 

 


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LIÇÃO DE AMOR

Não te direi de amor
assim como tu queres
pois não se faz o amor, amor existe
e dá-se dando e dando inteiramente
que despojado é o maior, sem adereços
e a pele é a melhor das vestimentas.

Não te direi
assim como o entendes
mas se eu disser de mim, direi do amor
que há quem não se dando já deu tudo
e visitou a face do teu ser impuro
e adormeceu à sombra dos teus sonhos

Não
assim que me entrego à noite e à desventura
e ferida de amor digo teu nome
e ele me cobre como uma vestidura.

 

VISITAÇÃO DA VIDA II

Eis que te ensino
um vocabulário novo. Digo:
                                        -te amo
com signos cifrados.Te alcançarão?

Ouve:

eu te penso
penso em jardins nos fins de tarde
em odor de rosas
e há um gosto de mar e de canção antiga.
assim te apreendo.

Mas vens e tomas meus sentidos e te surpreendo e
aos teus olhos de sombras e mistério.

Por que me invades com tua presença densa
                                                 e teus adeuses?
És pouso ou te teces de distâncias? Vens sempre ou
só na primavera?

Ouve ainda:

Sou chão de permanência
mas há urgência em meu sangue.

A marca da tua passagem é que
me dá a certeza
de que fui assinalada pela Vida.

 

 

Fonte:
Corpo Lunar
Antologia Poética
Recife - 2002
Organizadora Edileusa da Rocha

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos