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Maria de
Lourdes Hortas
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CIRANDA
Em todas as casas te procuro, Casa onde habitou a infância hora luminosa e matinal em que o galo canta e o sino toca punhados de granizo tamborilando no telhado e a silente carícia da neve pousando nos peitoris. Em todas as casas te procuro, Casa: beirais de pombas escadas de granito, vento de inverno uivando pelas frestas madrugadas de susto em que os foguetes te sacudiam, branca e recatada abadessa à esquina da rua do Convento fazendo abanar os caixilhos das vidraças das janelas onde mais tarde se desfraldavam as colchas de damasco para as procissões de ver passar os anjos, eu entre eles. Em todas as praças te procuro, praça das cirandas Em todos os navios te navego, Ribeira a fluir prateada Em todas as paisagens te procuro, aquarela de centeio e oliveiras, pinhais
agrestes, ramos de giestas Em cada pôr-do-sol ardente vos espero cegonhas de vôo lento e branco hóspedes de verão na torre da igreja. Em cada chafariz te procuro, Fonte explosão da vida líquidas estrelas de cristal recolhidas em meu cantarinho de zinco. Longe ficou o mundo em que a única ameaça era os ciganos seu rufar de bombos acompanhando a evolução dos acrobatas no trapézio suspense anunciando os capítulos da história em que seria eu a trapezista. São Vicente, único país riscado a sangue no mapa
PEQUENOS ANÚNCIOS 1. Perdeu-se uma alegria: 2. Foi roubada a lua
PAISAGEM DILUÍDA Foi tão comprido o túnel da noite
AQUARELA Um pássaro veio
ALEGRIA Outra vez amanheço.
FESTIM Convidar a tristeza |
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INTERPOÉTICA
© 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos |
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