| Estações
da Alma
No início da vida a alma é sentinela
Que guarda a primavera de uma infância plena
E tem um sonho lindo e a tez da açucena
E forra o nosso chão com a flor mais singela.
No verão da existência a estrada é mais serena
E o sol da liberdade pinta uma aquarela
Seu raio traça o esboço com uma luz tão bela
Que tinge o nosso quadro de uma cor amena
Mais tarde um vendaval aponta o que acontece:
O outono da lembrança nos traz a verdade,
Desfolha a fantasia e a alma se entristece...
...Um rio de sentimento inunda a realidade,
Uma chuva de pranto molha quem padece
E afoga o coração no inverno da saudade.
Clamor
Vem, poeta, invadir com liberdade
A morada do deus da fantasia;
Desvendar com leveza e com verdade
Os segredos de amor da poesia!
Infiltrar-se no âmago da saudade
E acabar de uma vez a nostalgia.
Traduzir o prazer da ansiedade
De uma vida repleta de utopia.
Evocar a ternura dos momentos,
Conduzir os mais belos sentimentos
Que se aninham febris no coração...
...Decantar os teus tons mais afinados,
Conduzir os teus versos inspirados
Pela estrada infinita da emoção.
Brincadeiras do tempo de criança:
Futebol, garrafão, barra-bandeira;
Essa fase feliz e verdadeira
Hoje eu guardo comigo, na lembrança.
Juventude de amor e de esperança
Eu vivia contente e sem demora.
Mas o tempo fugaz que nos devora
É um fantasma cruel e sorrateiro.
Mocidade é um vento passageiro
Beija a face da gente e vai embora.
Quantos dias vividos de ilusão,
Quanta coisa perdida na inocência,
Quantos gestos de paz e de decência,
Quantas veias de amor no coração.
Quanta luz, quanta história de emoção
Que se esvai pelo ar, que se evapora...
...É o relógio da vida que tem hora
De acabar nosso sonho derradeiro.
Mocidade é um vento passageiro
Beija a face da gente e vai embora.
Na infância a ternura brilha forte;
Na velhice o fulgor desaparece;
Juventude é o calor que nos aquece;
A idade é o frio da nossa sorte...
Como um barco que ruma sem ter norte,
Atravessa tufões e se apavora;
O vigor que existia vê-se agora
Sob o jugo de kronos altaneiro!
Mocidade é um vento passageiro
Beija a face da gente e vai embora.
CORRUPÇÃO
É O MAL QUE MAIS AFLIGE A HUMANIDADE;
QUE FRAGILIZA A ÉTICA E A MORAL.
CORROMPE O HOMEM COM SEU VIL METAL,
DEIXANDO UMA NÓDOA NA SOCIEDADE.
CORRÓI E AVILTA COM FACILIDADE
A HONRA, A PROBIDADE E A RAZÃO,
E AÇOITA SEM REMORSO E SEM PERDÃO
O LOMBO NÚ DO PROLETARIADO...
O POVO SOFRE TRISTE E HUMILHADO
DIANTE DO PODER DA CORRUPÇÃO.
É A LAMA ESPESSA ONDE VIVE A NOBREZA
DOS COFRES SUJOS DO CAPITALISMO
E ONDE SE VÊ A FORÇA DO EGOÍSMO
ETERNIZAR O BILTRE NA RIQUEZA.
REVELA A TODOS NÓS A SUTILEZA
DO GOLPE SOBRE A MASSA SEM NOÇÃO
E ENQUANTO O RICO RI SEM COMPAIXÃO,
O POBRE CHORA DESESPERANÇADO...
É NESSE QUADRO TRISTE E DESGRAÇADO
QUE IMPERA A SORDIDEZ DA CORRUPÇÃO.
A SOLUÇÃO QUE A TODOS NÓS SOCORRE,
ALÉM DE LEIS QUE PUNAM COM RIGOR,
É CONCLAMAR A MASSA, COM FERVOR,
PRA COMBATER QUEM SOBRE O CRIME CORRE.
QUEM AMA O COLETIVO NÃO CONCORRE
COM O POLITIQUEIRO E O LADRÃO!
ANTES ACENA COM A EDUCAÇÃO,
COM O VOTO LIMPO E CONSCIENTIZADO.
TALVEZ ASSIM O POVO, DESONRADO,
SE LIVRE DOS GRILHÕES DA CORRUPÇÃO. |