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Marcone
Correia
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APUNHALAR A CANETA
NO PAPEL
Escrevo pra não morrer
Não envelhecer pra me perpetuar
Escrevo pra ler depois
Mesmo que dê aos bois motivos para sonhar
Escrevo sem dó de mim
Mesmo que seja ruim eu tenho onde guardar
Escrevo melhor na sexta
Sem Problema que a gaveta seja o meu altar
Escrevo sentado em casa
Comunico-me com a massa que um dia quero alcançar
Escrevo para ser livre
Mesmo que um dia me prendam pelas idéias que expressar
Escrevo por felicidade
Quando tinha a tua idade a vaidade quis me matar
Escrevo um tiro no escuro
Rabisco até nos muros a escrita em qualquer lugar
Escrevo no litoral
Sambas pro carnaval e rock pra anarquizar
Escrevo sim, concluindo
De listas de compras a hinos
Escrevo e não vou parar
BRIGAS DE AMOR Tu vais e volta como um bumerangue Arranca de mim o intestino
LAPIDE Esta muito escuro e eu não
quero Respiro pouco o ar que resta Alguém me diz que é
eterno Que lindas flores coroam o rito Aqui deitado o corpo inerte Os ratos chegam eu já escuto Há se toda dor me arrebatasse
agora
ORAL Tua vagina louca incandescente Nem que eu implore pela seiva de
tua selva Percorrendo o caminho que me leva
INSÔNIA Já confundo tudo
FIM Rápido me mata Leva embora tua foto
EXISTENCIAL Eu não sou, eu estou
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INTERPOÉTICA
© 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos |
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