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Marcone Correia
(1976 Recife/Pernambuco)

 

 


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APUNHALAR A CANETA NO PAPEL
Escrevo pra não morrer
         Não envelhecer pra me perpetuar
Escrevo pra ler depois
         Mesmo que dê aos bois motivos para sonhar
Escrevo sem dó de mim
         Mesmo que seja ruim eu tenho onde guardar
Escrevo melhor na sexta
         Sem Problema que a gaveta seja o meu altar
Escrevo sentado em casa
         Comunico-me com a massa que um dia quero alcançar
Escrevo para ser livre
         Mesmo que um dia me prendam pelas idéias que expressar
Escrevo por felicidade
         Quando tinha a tua idade a vaidade quis me matar
Escrevo um tiro no escuro
         Rabisco até nos muros a escrita em qualquer lugar
Escrevo no litoral
         Sambas pro carnaval e rock pra anarquizar
Escrevo sim, concluindo
         De listas de compras a hinos
Escrevo e não vou parar

 

BRIGAS DE AMOR

Tu vais e volta como um bumerangue
Me aplaude e me arromba a porta
Deixa minha boca toda torta
Com tua exaurida força de vencido

Arranca de mim o intestino
E com o delgado me amarra a boca
Minha esperança já foge louca
Pois estou do amor desguarnecido

 

LAPIDE

Esta muito escuro e eu não quero
Atrai-me o gosto de me mexer
Levanto a mão e toco o teto
E sinto o verme a me comer

Respiro pouco o ar que resta
Transpiro a testa eu, vou morrer
E volto ao pó da mesma estrada
Se abram as portas, eu vou morrer

Alguém me diz que é eterno
Vistam-me o terno, eu vou morrer
Se algo dói não sinto nada
É a pá que cava, eu vou morrer

Que lindas flores coroam o rito
Nem mesmo grito, eu vou morrer
Escuto o lamento e o choro delas
Acendam as velas, eu vou morrer

Aqui deitado o corpo inerte
Cheirando as fezes, eu vou morrer
Formol demais me embriaga
Que brindem as taças, eu vou morrer

Os ratos chegam eu já escuto
Comece o luto, eu vou morrer
A lua chora lá no relento
E o testamento, eu vou morrer

Há se toda dor me arrebatasse agora
E levasse embora o meu morrer
Seria em vão flores, caixão e velas
E seria belo o meu viver.

 

ORAL

Tua vagina louca incandescente
Luminosa ardente e ensandecida
Dou circulares lambidas em tua virilha
Dou beijos molhados em teu clitóris

Nem que eu implore pela seiva de tua selva
E adormeça com a cabeça em tua bunda
Sei que o cheiro delicioso do teu anus
É o convite ao paraíso de tua vulva

Percorrendo o caminho que me leva
Com a língua as tuas benditas solas
De pezinhos trinta e cinco tão perfeitos
Chuparia os teus pés a qualquer hora.

 

INSÔNIA

Já confundo tudo
Falo escuto mudo
Já não durmo o sono
E acordo tonto
Já me calo e pronto
Não procuro ajuda
Passa a noite a lua
A me ver sorrindo
E eis que vem surgindo
O dia no horizonte
Atravesso a ponte
Que esconde o sono.

 

FIM

Rápido me mata
Me consome ou some
Deixa teu lugar vago
Deixa que eu me acabe
Vai embora sem me tocar

Leva embora tua foto
Não quero tua aparência
Não sinto tua essência
Não lembro o teu caminhar.

 

EXISTENCIAL

Eu não sou, eu estou
Não sou porque posso mudar
Estou, porque se não mudo, sou.

 

marconecorreia@yahoo.com.br

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

 

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