página inicial | galeria dos mortais | manoel constantino
VOLTAR À PÁGINA INICIAL

 

MANOEL CONSTANTINO

 

Olhos ancetrais

Bebi das pedras do rio Ipanema,
água parca, cacimba de esperanças.
Das pedras, em sua dureza,
herdei o tino de rolar
como seixo
mundo acima
mundo abaixo
com os olhos
de todos os olhos ancestrais.
Com o fogo do sol
marcado no corpo,
nos meus caminhos
trago cactos,
o coração, os espinhos.
Bebi das pedras da cidade
grande e inflamável
o coração sem farpas
enrodilhado no brilho falso dos néons:
nas esquinas me disfarço.

O palhaço, o moleque, o nó engasgado
e nos olhos
- com todos os olhos herdados -
ressoa a cantiga dos encantados.

 

 

 

 

Nasci em Santana do Ipanema, Alagoas, num outubro de 1957, ao meio dia e vinte minutos, sob um sol escaldante de Libra. Aos quinzeanos, cheguei ao Recife, meu porto afetivo. Desde cedo, dediquei-me ao teatro infantil, principalmente, como ator, produtor e diretor. Publiquei, em 1980, o meu primeiro atrevimento, pela Pirata, e o batizei de "Esquinas". Em 1982, publiquei "Açoite", pela Grumete. Além do teatro, dediquei-me à televisão e fiz dois curtas-metragens e um longa, com cineastas da terra. Sou também jornalista e edito a Agenda Cultural do Recife. Nos caminhos de encontros e desencontros, fiz "Ardências".

   
voltar à página inicial
INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos