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Manoel
Constantino
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ANDARILHO
Atravessador de séculos Reinventada a chave O sol se põe. E eu,
O SOL POSTO O poeta sabe o fim-de-tarde. É fim-de-tarde. Há que se pousar
NADA Nada.
O ar rarefeito do silêncio.
A cidade é quase uma pérola
sufocada.
Não há pescadores.
Há a profundidade
de uma dor estranha
estendida
esticada.
Na extremidade do nada
a poesia
oscila
pêndulo
à procura de outra
fonte.
O amor
O homem
E uma cidade calada.
O mar me cabe
RUAS Uma senhora cheia Estancar a palavra
JOGOS As palavras estão atropeladas.
Uivo para dentro a avidez
que trago nos jogos amorosos.
A monitoria do museu
vive uma tarde de estudantes.
Uma borboleta pousa em sua mão. A plasticidade do silêncio
está
dentro
do mar
nos ruídos internos
do meu coração.
Nada mais será ontem.
Uma faísca tem o poder dos atalhos
e o teu olhar penetra
nos desavisados
deixo latejar tua risada
por todas as paredes do quarto.
Adormecer é quase estranho.
A PRAÇA A praça limpa
irresponsavelmente vazia
põe à mesa rumores
e desejos de seus visitantes
habituais.
Sem anestesia.
Nesses domingos
assépticos
até seus pássaros
revelam-se.
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INTERPOÉTICA
© 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos |
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