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Malungo
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OBRA VERSIFICADA NÃO IDENTIFICADA Ao som de um hino evangélico,
Surge um boi mameluco; boi de fita.
Um boi maluco, psicodélico; que rumina
Saudades e defeca solidão.
Xabu nos computadores e o mofo deu nos cd's.
Deu o zererê, cachorro em 90:
bundalelê
...E o artista continuou discriminado e
jogando a boléu.
Fidalgos mendigos jantando pão com pão
no cinco pontas.
...E lá se vai a tua cabeça a boiar nas
águas do Capibaribe.
Ela está bêbeda por ter enchido a cara de
vinhoto no bar Savoy.
Ela está inchada pela derrota do time do
coração...
Mas pula da água suja pro calçamento
escaldante e sai dançando ao som de um
maracatu
afrociberdélico pela rua da Imperatriz.
Todos os termômetros da cidade
enlouqueceram!
Eles marcam zero grão de terra na cara
dos sem. E vem você de novo, fazendo bamburim de
xoxota.
Pena que você não nota que o prêmio é
dividido por mais de cem:
Uma tuia de machos esperando numa fila
sem fim.
Derrubei a grande estante por cima dos
bacharéis!
Eles são senhores, caros senhores;
Valendo pouco mais de dois mil réis.
Um verso perverso, louco;
Como o gato de Alice e o seu sorriso
sacana.
Catedráticos de fama se estarrecem.
E os mendigos do Brasil
Com suas roupas de amianto agradecem.
a-gra-de-cem!!!
CARROCEIRO TRANSCENDENTAL Lá em Peixinhos, a arte mora na favela. A luz do sol se reflete nas águas sujas do
rio Geladeiras incandescentes iluminam a tua
MEUS OLHOS EM MANHATTAN Na luz da manhã, as aves turbinadas: As cabeças dos irmãos em chamas; Tudo ruindo; como um sonho mau diante Sementes e plantações:
COMPUTADORES A LENHA, CHIPS A VAPOR Mãos analfabetas folheiam cordéis
digitais. Neurônios, fios e tomadas. |
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INTERPOÉTICA
© 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos |
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