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Luiz Alberto Machado
(Pernambuco)

 

 


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POEMA NO SILÊNCIO DA MADRUGADA

quando existo nestas vastas noites
engulo a intransigência
das minhas alucinações
pigmentadas de harmoniosas
e indeléveis torturas
do impávido viver.
risquei no fio de prumo
dez mil aventuras e as arquivei
porque prefiro o substancial
que um monturo de dúvidas.
afagando na névoa dos olhos
a resistência do peito juvenil
que abarca todo o istmo da vida.
seguir,sigo,
porteira aberta é minha evasão.
e o que digo
faz-se orvalho na aurora
da intuição viva
formando semblante livre
no congresso da eternidade.

 

O TRÂMITE DO DESEJO

Há muito que meu coração espera no sisifismo louco dos dias e na contagem regressiva das horas.

O amor me deu e só o amor levará de mim

Porque já pelejei demais no meio da noite e deixei meu verso no escuro

Porque todas as noites, como o mar que nunca dorme, persigo insone pelo grande amor.

Eu não sei nada e só me eternizo quando a noite é íntima na minha solidão.

Eu velo pelo grande amor e é por ele que passo as noites em claro, ardendo aflito, na busca sedenta do teu corpo de mulher.

 

JOÃO

de ser-se homem joão amou.
como outro qualquer, nunca.
mas joãomente.
hermético. humílimo.telúrico.
como o braço da fibra
e a canção singela da alma.
joão não foi ninguém
(quase que por sina, rapunzel)
foi vivo.

 

 

Fontes:
Poema enviado pelo autor

Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco 1980/1988
Francisco Espinhara
Recife 2002

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos