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Luis Serguilha
(Distrito de Braga/Portugal)

 

 


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SÍNCOPES  TERRESTRES-AMORAS RELAMPEJANTES

 

     O encadeamento das bocas aformoseia-se ao sobressaltar nas ataduras dos tímpanos principais do chão
                                 como as persianas das alfaias vertiginosas a suportarem os ascendentes nórdicos do sol
                 Os patins nativos dos olhares fingem-se de circunvoluções inexactas ao serpentearem na explosiva engrenagem do silêncio
                      é nas extremidades medulares dos abismos
                                         que a linguagem monumental da destilação se instala emparedando radiosamente
                                              o fluxo intercalado das obsessões dos pássaros
Incontrastável compromisso dos corpos atraindo os domicílios invertidos

da dilatada vegetação para electrizarem os degraus rústicos das faces diurnas
            São coruscantes os indicadores dos bate-bocas
                                      sobre as deambulações inegáveis dos cascos atómicos embarcados altamente
                                     no cinema das casas desfloradas onde a mutabilidade das povoações primitivas ocupa a emenda ansiosa do roseiral
                        como os trópicos matinais a despontarem na argúcia menstrual dos cristais
                   parecem os descobridores dos aracnídeos nos degraus uníssonos dos cios a desviarem a transfusão dos barcos instintivos da claridade
Os almiscareiros curvam-se velozmente burilados
                                      pelos agasalhos das aldeias das maças comemorando as concepções dos instrumentos inarticuláveis
                                         e o carregamento do sol reborda os ávidos vocábulos das síncopes terrestres
                               para revelar a divisibilidade salvadora dos esconderijos  
                        A conversação inspiradora das campânulas anela as tecelagens das  crisálidas
            como as oscilações das fêmeas a decifrarem a sabedoria do relâmpago nos apaziguamentos das transferências dos ervateiros
Interiormente os teatros das luas acasalam os cantadores regenerados
                                            sobre os manequins das constelações inospitaleiras aqui o tempo é lascado
                                    pelos polegares harmónicos das alegorias      
                                    pelo cronómetro da voracidade dos sinos
                                                           que colhem as cópulas dos fogos rasteiros das cidades
                  esta bifurcação das campainhas assemelha-se às levadas
                                            de peixes estivais cheios de chocalhos assimétricos
 As marcações dos núcleos anunciam o acorde dos ferros entranhados
 no batimento oblíquo do desassossego
                                                   inventado teoricamente
                                                        pelas curvaturas dos girassóis das fogueiras onde os olhares dos arquitectos registam as amoras relampejantes  

desbulhadas pela suspensão transportadora das ondas

 

 

Fonte:
Poema enviado pelo autor

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos