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Luis Manoel Siqueira
(1960 Garanhuns/Pernambuco)

 

 


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BOLSA DE VALORES

Um caminho no sertão
vale uma avenida
e um cavalo, mesmo velho,
um caminhão.

Um banho de enxurrada
vale, assim, a própria vida
num açude ou corredeira pelo chão.

Um aboio de vaqueiro vale um hino,
e o pião de um menino
um avião.

Um chocalho de ovelha
vale um sino
e uma casa, mesmo velha,
a solidão.

Contemplar a natureza vale a pena
um poema vale igual a uma oração.

E o valor daquela estrela imorredoura?
que igreja se compara à manjedoura?

 

PLANOS DE JOÃO MAURÍCIO DE NASSAU-SIEGEN AO PISAR EM TERRA FIRME

Com pouco faço meu sonho
da espuma do mangue, manjar
a paz eu retiro e reponho
depois num feitiço medonho
ordeno um boi voar.

Nos mangues farei meu castelo
com conchas e água do mar
depois a cidade modelo
construo uma ponte no meio
e deixo a vida passar.

Um forte cercado de dentes
com mil caranguejos armados
depois um jardim replantado
com frutas de cor tropical
jamais terá Portugal
composto tão belo fado.

Então ponho fogo em Olinda
e num afago de seio
mais pontes, castelos e ainda
o canavial pelo meio:
(Recife é o umbigo da índia
e a concha que surge no meio.)

O espaço que o sonho precisa
é a rota de cem caravelas
da Ilha de Antônio Vaz
aos morros de Casa Amarela

-Talvez seja tarde demais
já não terei tempo de vê-la…

 

 

Fonte:
Pernambuco, Terra da Poesia
Organizadores: Antônio Campos e Cláudia Cordeiro
Editora Escrituras - Recife 2005

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos