| ELEGIA PARA JÚLIO
O cadáver que você plantou no ano passado no seu jardim
Já começou a brotar?
Dará flores este ano?
O papa Bento XVI faz "Heil Hitler!" numa fotografia
Protestos no Afeganistão, 16 mortos
Há resistência no Iraque
O terceiro mundo explodindo
Sem anões, sem Rogério Sganzerla
O bandido da luz vermelha está na Cidade de Deus
O cadáver, o seu cadáver
Plantamos não no jardim
Nem brotou
Não deu flores este ano
Suas blusas e camisetas continuam penduradas, erguidas
Pérfidas sem você
Penduradas em cabides secretos,
Ocultas como árvores doídas.
Vovó sofre com ferrolhos no braço.
São Paulo, angústia no metrô das seis da tarde,
Sua sombra, Júlio, seu silêncio no fundo da sala
Gozado distanciamento entre o som & o sentido.
Olhei para trás e não te vi mais, fantasma construtor de
igrejas.
Quanto custa para mim lhe gritar.
Neste túmulo de Deus, lhe envio sua neta.
Dirijo a você palavras mudas,
Ana & Efigênia dizem que deviam muito a você,
Mas que não poderão pagar, pai do pai do Espírito
Santo.
Pomba abatida, cabelos brancos com terra agora, nenhum cão para
te desenterrar, não.
LIÇÃO-POEMA
Fritz paga: onde você estava?
Cento e vinte marcos
Coma!
os ponteiros
Tomarás sopa.
É um bom programa.
Espere o rio
Uma viagem: todos verificam
a tempestade no copo.
Tem trovejado.
Eu tenho tudo.
Atravessa o espelho.
De ônibus
para toda parte
com sua casa
Á sua saúde,
As tardes ficaram frescas.
Cavalgar as folhas...
Formidável! O aeroporto tornou-se professor.
No outono
A pergunta vende as passagens.
No fim
Na cidade
Ficou escuro
o minuto
A coisa não nos escreveu.
Os cruzamentos se sentam em cadeiras numeradas
Já está chovendo.
É um dia ensolarado.
Dobra à esquerda nas montanhas. |