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Lúcio Jr.
(1974 Uberaba/Minas Gerais)

 

 


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ELEGIA PARA JÚLIO

O cadáver que você plantou no ano passado no seu jardim
Já começou a brotar?
Dará flores este ano?
O papa Bento XVI faz "Heil Hitler!" numa fotografia
Protestos no Afeganistão, 16 mortos
Há resistência no Iraque
O terceiro mundo explodindo
Sem anões, sem Rogério Sganzerla
O bandido da luz vermelha está na Cidade de Deus
O cadáver, o seu cadáver
Plantamos não no jardim
Nem brotou
Não deu flores este ano
Suas blusas e camisetas continuam penduradas, erguidas
Pérfidas sem você
Penduradas em cabides secretos,
Ocultas como árvores doídas.
Vovó sofre com ferrolhos no braço.
São Paulo, angústia no metrô das seis da tarde,
Sua sombra, Júlio, seu silêncio no fundo da sala
Gozado distanciamento entre o som & o sentido.
Olhei para trás e não te vi mais, fantasma construtor de igrejas.
Quanto custa para mim lhe gritar.
Neste túmulo de Deus, lhe envio sua neta.
Dirijo a você palavras mudas,
Ana & Efigênia dizem que deviam muito a você,
Mas que não poderão pagar, pai do pai do Espírito Santo.
Pomba abatida, cabelos brancos com terra agora, nenhum cão para te desenterrar, não.

 

LIÇÃO-POEMA

Fritz paga: onde você estava?
Cento e vinte marcos
Coma!
os ponteiros

Tomarás sopa.
É um bom programa.

Espere o rio
Uma viagem: todos verificam
a tempestade no copo.

Tem trovejado.
Eu tenho tudo.
Atravessa o espelho.

De ônibus
para toda parte
com sua casa

Á sua saúde,
As tardes ficaram frescas.

Cavalgar as folhas...
Formidável! O aeroporto tornou-se professor.

No outono
A pergunta vende as passagens.

No fim

Na cidade
Ficou escuro
o minuto

A coisa não nos escreveu.

Os cruzamentos se sentam em cadeiras numeradas

Já está chovendo.
É um dia ensolarado.
Dobra à esquerda nas montanhas.

 

 

Fonte:
Poema enviado pelo autor

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos