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Luciana Rabelo

 

 


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'EN'CANTOS DO MAR

As ondas murmuram contando à areia
Segredo das águas molhadas de pranto
Que sonham ouvir a pureza de um canto
Gorjeio sagrado de uma sereia
A Lua que é cúmplice vem e clareia
Com o brilho dos olhos da Mãe Iemanjá
E lá, lá no fundo, se ouve entoar
Uma voz, um suspiro, o hino sonhado
Trazido no vento, fluindo em bailado
Soprando poemas, encantos do Mar.

 

ESTRELA HÁ MUITO JÁ AMADA

Meu vate te quero a todo instante
Vem ser meu amante, esposo, amigo
Eu sou tua Lua, eu sou tua fada,
Tua alma encarnada, tua luz, teu abrigo

Vens já, não te percas no Céu Estrelado
Poeta alado que eu tanto ansiei
Eu tinha certeza que a noite traria
Estrela que um dia em vidas amei.

 

PASSA TUDO NA VIDA, TUDO PASSA,
MAS NEM TUDO QUE PASSA A GENTE ESQUECE

A lembrança do que não volta mais
Alegrias tingidas em momentos
A saudade tormenta os pensamentos
Recordando o que ficou pra trás
Meu destino é não te esquecer jamais
Mas tu foges e só desapareces
Segue a noite, o dia amanhce
Nossa história já não se desenlaça
Passa tudo na vida, tudo passa,
mas nem tudo que passa a gente esquece.

 

Vida arteira

Como podes sumir se mal chegaste?
Por que foges de mim se é tão cedo?
Por que já interrompes nosso enredo?
Como ousas deixar quem tanto amaste?

És poeta tão cheio de contraste
Te escondendo por trás de um segredo
Com coragem te entregas a um medo
Logo agora que tu me encontraste

Mas persisto ó minha divindade
Porque é tanta a minha saudade
Que não consigo me sentir inteira

És meu homem, não tem outro jeito
E nosso amor não pode ser desfeito
Sabes que a vida é poderosa arteira.

 

Universo

Fragmentos invadem os espaços
Repartindo e absorvendo o tempo
Recortando a unidade do momento
Esfacelando tudo em pedaços
E da dança perdemos os compassos
Da inteireza que há sempre na vida
A mandala encontra-se partida
Esquecendo que uno é o infinito
Que talhar o integral fica esquisito
E a existência não dá se dividida.

 

Quadras a um vate

Um vate me apareceu
Disse-me coisas de amor
Em minh'alma penetrou
Depois desapareceu

E eu que então pensava
Que tinha ele encontrado
Agora vivo escrava
De um amor abandonado

Banhou-me com tantos versos
Poetizou minha mão
E agora como um reverso
Me largou na solidão

Ó poeta ensandecido
De sonho contraditório
Está de mim esquecido
Eu que fui dele oratório

E o Sol que irradiou
Nossos seres enlaçados
Parece que apagou
Sentimentos encantados

O que ontem era divino
Como uma flor sagrada
Enganou-se com o destino
E perdeu-se na estrada.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

 

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