Desejo
Hoje quero chuva
o dia inteiro.
Daquelas intermitente, regular,
constante,
bem molhada.
Não temporal,
(nada de exagero)
Só água
compassada,
profunda.
Para ver meu choro
interno
no concreto,
expresso por fora
para fora.
Hoje quero chuva
o dia inteiro.
Cismar horas e horas
dentro dos fios finos
prateados densos.
Abrir os ouvidos
tapando o pensamento,
preenchendo a mente de ruído
chuvoso.
Esgotar esse desejo
de
desaguar
sempre e sempre ...
Quero água escorrendo
dentro do peito,
no rosto e nas folhas ...
Intimidade
Descortino-te acendendo teus
prazeres...
E tua voz molhada desagua .
Desnuda e impregnada de ti
recebo tua água morna e,
assim, plena de teu reverso,
calo.
Língua
Palavra,
lavra completa
cultivada e apregoada.
quer chegar a tudo,
tentar a todos.
Mas por que brincas assim ?
Tentação , disfarce,
outro sentido,outras palavras, sempre dúbia
escorregadia ...
(de fato és feminina )
porque deliciosa, maliciosa,
sorrateira.
Quero “a “ palavra
dentro das palavras.
Pluralidade e falsa verdade.
Quero essa possibilidade aberta,
Essa multidirecionalidade
Palavrão ... ! e palavrinha
a querer só dizer
Só, é , sim,
Fim.
Sina
Expio no mundo
através da janela
de minhas palavras.
De vez em quando
fotografo cenas,
congelo-as
e envolvo-as
em cenários de
vida que
costuro a minha mercê.
Pincelo quadros.
Tintas
ora berrantes
ora chorosas (indignadas ),
às vezes saltitantes
(alegres).
Tudo em comoção,
lacrando
mistura de palavra e emoção.
Pausa
Sorrateiramente anarquizo
meu cotidiano.
Ar de desviante,
escorrego dentro de um biquíni
e vou dar asas
à imaginação.
Ficar assim no mundo da lua,
Completamente banhada pela luz
Ingênua e generosa
De sol de inverno.
Furei meu dia
quase de deveres,
atravessei-o entre prazeres,
entre ondas enfurecidas,
a me desfazer de compromissos
e me preencher de poesia.
Quinta-feira vestida de sábado,
descarrilho no trilho do cotidiano.
Ainda sem graça
desato-me dos nós
das obrigações
e vou nadar (fazer nada).
no mar ...
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