| O LAVRADOR E O TEMPLO
Sê como o templo natural,
este Universo,
de onde emana
a humildade;
onde um calendário
além dos olhos
tece as estações,
a eternidade.
Há tantas safras
de estrelas nesta vida;
tantos espaços
ou troncos da verdade.
Sê mais que um servo
desse plantio de luz:
lavra, em ti,
a mansidão, a paz.
NA VASTA CLARIDADE DO DIA
Lembras-te daquela noite?
Em quantos portos
Ancoramos o nosso silêncio!
Éramos uma só paisagem
tecida de abraços.
Ao amanhecer,
os travesseiros acesos
eram plantios enormes de estrelas.
Romperam-se as pontes
e partimos
e nos perdemos
na vasta claridade do dia.
CANÇÃO DA FLORESTA
Abri urgente
o portal dos campos!
Contemplai águas,
pastos, sol,rebanhos;
escutai, do vento, a vida,
o verde canto,
porque no seio da floresta
há ritmo santo.
Acolhei, amigos,
o vôo das andorinhas,
seiva dos lírios,
dádivas permanentes;
da oficina natural, a eternidade
ou estações que se elaboram
a todo instante. |