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Lourdes Nicácio
(1947 Belém do São Francisco/Pernambuco)

 

 


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O LAVRADOR E O TEMPLO

Sê como o templo natural,
este Universo,
de onde emana
a humildade;
onde um calendário
além dos olhos
tece as estações,
a eternidade.

Há tantas safras
de estrelas nesta vida;
tantos espaços
ou troncos da verdade.
Sê mais que um servo
desse plantio de luz:
lavra, em ti,
a mansidão, a paz.

 

NA VASTA CLARIDADE DO DIA

Lembras-te daquela noite?
Em quantos portos
Ancoramos o nosso silêncio!

Éramos uma só paisagem
tecida de abraços.

Ao amanhecer,
os travesseiros acesos
eram plantios enormes de estrelas.

Romperam-se as pontes
e partimos
e nos perdemos
na vasta claridade do dia.

 

CANÇÃO DA FLORESTA

Abri urgente
o portal dos campos!
Contemplai águas,
pastos, sol,rebanhos;
escutai, do vento, a vida,
o verde canto,
porque no seio da floresta
há ritmo santo.

Acolhei, amigos,
o vôo das andorinhas,
seiva dos lírios,
dádivas permanentes;
da oficina natural, a eternidade
ou estações que se elaboram
a todo instante.

 

 

Fonte:
Retratos
A Poesia Feminina Contemporânea Em Pernambuco
2003
Organizadora: Elizabeth Angélica Santos Siqueira
Funcultura - Pernambuco

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos