POESIA EXPLÍCITA
Construtos poéticos arraigados
na mente.
Arraigados na pele,
no cerne e no cérebro.
Poesia na carne!
Poesia na veia!
Madeleines afogadas no chá,
pisoteadas por uma mente
sem resquícios de lembranças...
Poesia Bruta!
Poema seco!
Num beijo salgado.
Um olhar surreal
para a poesia nascida
da secura do coração
que aguarda a temporada
das águas...
A coragem e a covardia
O medo e a insegurança
Num poema insano!
Em uma vida sem danos.
Uma vida.
Poucos planos.
Poesias que emergem.
Versos que se submetem
a explicitar a vontade
de um poema sujo
de um poema pesado
de um poema vigoroso,
pomposo, falacioso...
Por que não?!
Poesias, poemas, versos,
rimas, frases...idéias.
Círculo de vícios e tônicos.
Vigor da mente
que sente
a poesia latente!
Poesia que escuta
o coração ladrar
o corpo falar
a mente querer.
Poesia que bate,
que late,
e abriga
a vida nascida
e vivida pelo andar
da poesia surgida!
Poesia precoce!
Que se alimenta do leite materno
em terno aconchego.
No peito cheio, morde
e vibra, suga e se deleita!
Aproveita e adia
o crescimento da poesia premente!
Abrupto poema!
Nascido da primeira frustração
do primeiro desamor experienciado
em alienado universo.
Aos poucos exilado,
em ilhada literatura.
Profícuos poemas encontrados e
escritos à mão!
Poesia que tarda, que falha,
que amarga a boca
em escatológica sinfonia
com o desgaste da esperança.
Mas que cria e recria
a vontade da escrita.
E restaura a construção
do Poema Primal,
cuja subjacência conserva
em doce berço de inocência,
a vital intuição da escrita.
DIA SECO
Dia seco.
Manhã seca.
Sol queimando.
Pelas ruas ardentes os carros passam,
correndo, desviando,
xingando, atropelando,
Querendo!
Manhã ensolarada,
cansada, suada,
encarquilhada, iluminada!
Seca.
Dia seco.
Manhã tórrida.
Sol ardendo.
Pelos paralelepípedos escaldantes as pessoas passam,
andando, correndo,
Suando, ardendo,
Querendo!
Manhã clara do brilho do sol,
dos reflexos nos vidros dos carros e
nas pedras velhas do calçamento.
Pedras quentes de outra época,
De outras manhãs...
Também secas?
Dia seco.
Manhã ressecada pelo sol de muitos anos,
anos de luta e glória,
fortunas e fracassos,
experiência e cansaço,
descanso e esperança...
Dia seco.
Manhã de fogo-fátuo bruxuleante
pelas casas antigas que ainda mantém-se,
pelos resquícios dos velhos tijolos nas novas construções,
pelos velhos cimentos, que, unindo tijolos, abrigaram
vidas que já se foram.
Pedra e massa que agora presenciam dias secos, manhãs ardentes,
dias ressequidos, manhãs carentes.
Dia úmido
Manhã fresca,
um dia....
O Nascimento da Poesia
...E das entranhas do papel, brotou
a poesia...
Da latente semente, foi se expandindo
a idéia,
tingindo o papel, foi se mostrando a palavra,
linha por linha, foi se registrando o sentimento...
Umas por sobre as outras,
tingidas páginas foram se acomodando.
Unidas por cola e linha, batizaram a poesia!
O poeta nesse instante,
Febril e distante,
Do mundo das idéias,
desceu à terra....
Pousou no jardim dos brotos de papel,
colheu a poesia,
folheou suas pétalas,
aspirou seu aroma,
escutou sua voz...
e a distribuiu pelo mundo! |