VOLTAR À PÁGINA INICIAL

 

Lenilde Freitas
(1939 Campina Grande/Paraíba)

 

 


A
B C D E F G H I J K L M

N O P Q R S T U V W X Y Z

 

 

A GRACILIANO RAMOS
O dia é um rio. E nele
bebo as estrelas do céu
e recrio
nos remansos de cobras
os bambuzais.
Ao léu, penso ovelhas
penso folhas que não caem
carícias de vento nos coqueirais
       - a vida que se disfarça.
                         Do trem que não passou
                         penso fumaça.

 

A PALAVRA

A palavra
essa rédea
me governa.
A palavra
essa lâmina
me reparte.
Ai de mim
que sou tantas
e tão sem arte
é a que
em um chão de sílabas
se prosterna.
Ai de mim
que sou tantas
a procurar-te
palavra
que não és
e és eterna.

 

ESTRANHA SOMBRA

A noite entra
sem levantar os olhos.

A lâmpada recém acesa
é mero lampejo
-sorriso sem alegria.

No desenho do prato
sobre a mesa,
um pássaro cruza o horizonte
onde, rubra, declina a luz do dia.

Por que sangra
o céu desta paisagem?

Por que resmunga
lá fora a ventania?

 

 

Fonte:
Estação Recife
Coletânea Poética 2
2004
Prefeitura do Recife - Secretaria de Cultura - Fundação de Cultura da Cidade do Recife
ORGANIZADORES: Everardo Norões - José Carlos Targino - Pedro Américo de Farias

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos