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Juareiz Correya
(1951 Palmares/Pernambuco)

 

 


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BRASIL BRASILES

na minha terra
o circo é tão grande
que eu nunca vi o céu

 

ARTE DO PODER

Os romanos inventaram
com leões e cristãos
o circo com pão.
Os brasileiros bolaram
com samba e com sol
o circo sem pão
                  do futebol.
Hoje o Brasil
descoberto de novo,
inventado de novo,
decretou o Estado de Circo
- sem picadeiro, sem palco
                  e sem pão,
com panos coloridos tapando o céu
um mágico desgovernado no planalto
e uma platéia de 140 milhões
de bestas e de palhaço.

 

MENSAGEM DOS QUE VÃO MORRER

Senhores do Mundo,
Irmãos da Guerra,
Deuses do Holocausto,
poderosos proprietários do Arsenal Atômico
que apagará os milênios
e destruirá a Terra cem vezes!
Governantes,
Bestas-feras suicidas,
com os seus Estados Unidos,
as suas Rússias, as suas Chinas,
as suas Organizadas Nações Unidas:
O Apocalipse não tem dia seguinte,
e para que todas as vidas da Terra
- ao alcance de suas maquinações -
sejam destruídas,
basta programar o Fim Nuclear
UMA ÚNICA VEZ

 

INTIMIDADE

eu gosto
do teu cheiro de dentro
de dizer que te mato
de prazer de cansaço
de perder os meus braços
navegando em teu mar

eu gosto
dessa carne que arde
mais cedo e mais tarde
pelos cantos da casa
de fazer minha rede
no vai-vem dessas pernas
(no aconchego das coxas)
de cair de cabeça
nos segredos da gruta

eu gosto
desse gosto mais doce
que o teu corpo oferece
de tanto gozar
do teu longo arrepio
dessas voltas do cio
desse amor sem parar

 

COMPANHEIRA

quando amanhece
é em ti que amanheço.
primeira luz do dia.
meu dia.

 

NÚMERO 1

o céu não é assim
o céu está em minha boca
falo coisas sem nuvens
chovo em você
como se fosse
uma tarde de sol

 

NÚMERO 2

quando estás comigo
estás tão comigo
que ao dormir ao teu lado
sonho contigo

 

NÚMERO 3

abraça-me
abrasa-me

 

 

Fonte:
Coração Portátil
Nordestal Editora
Recife 1999

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos