Canto fraterno
Meu irmão prefere violão à
guitarra
É clássico e Romeu
Minha irmã prefere piano à bateria
É erudita e Julieta
Nas cartas de amor da música
minha vizinha sonha com o tango de João
e meu vizinho com a valsa de Mariama.
O maior amor do mundo
para
Pedro Poema, meu filho.
Quando Deus viu Pedrinho pela primeira vez
Quis compor os astros
Os
mistérios
As
exuberantes danças
Com o Amor Maior do MENINO-POETA
Amante do amor de Pedrinho
Deus entrou no leilão do jardim e comprou tudo
- Quero os desenhos do sol
Com o coração de Pedrinho.
O maracatu das flores
Quero com o corpo de Pedrinho.
Quero o romantismo das jardineiras
Com a alma de Pedrinho.
O sonho dos jardineiros
Quero com a Poesia de Pedrinho.
Pacífico e azul
Pedrinho fez um pedido a Deus
- Meu painho maior,
Quero apenas a bolinha de cristal do mundo para [amar!!!
No cantinho da sua lírica
Deus disse a Pedrinho
- És o que não dei ao vento e ao verão
O POEMA DE ARREPIAR
Inscrito no coração
para
Mestre Biu, meu avô.
Vive o alfaiate
no lugar enxuto do seu coração
Ele dá vez e voz à mini-saia da prostituta
à
blusa da mulata
ao
viajante errante
ao
pedaço de néon
e até o vestuário da cortesã tem uma costura inédita
Rasgam-se os ocidentes
seus homens com ternos de marfim e remendos no
[coração
passam pela linha do homem bom
Devoram-se os orientes
todos os vestidos castigos camisas e calças
são inventados pela agulha do homem bom
Fraternura, o que seria da Poesia do Mundo
se
fossemos cobrar o que devemos ao [homem
bom?
E as crianças do homem bom
Brincam de Palmares e Porto Calvo
E os poetas do homem bom
maravilham as mulheres azuis
E os loucos do homem bom
Criam Júpiter e Sagitário
Tudo é colibir para o orvalho do alfaiate
Vive o alfaiate do boêmio do poeta da mulher
Mulher – Água
para
Dona Carminha, minha Avó.
Ela é espírito
Vestido azul-turquesa, casamento de cristais
E será destino
Na cidade da palavra
E no sonho de Iemanjá.
Ela é fé
Perfume de mãe, desenho de maçã
E será vitória
Na casa do pecado
E no vinho do crepúsculo.
Ela é emoção
Música da lua, serenata de bacalhau
E será perfeição
Na livraria de Deus
E no diamante do trabalhador.
Meu poema e meu peixe
Eternizam a água do amor.
Mulher – Terra
para
Solange Crasto, minha Mãe.
Ela é sangue
Relva de Deus, evangelho amarelo
E será alma
Na linha do tempo
E no romance do príncipe.
Ela é caridade
Mel de engenho, elegante latina
E será sonho
Na passarela olímpica
E no carnaval do sertão.
Ela é razão
Arquitetura de Maria, medalha dos anjos
E será verdade
Na ceia do sol
E no topázio do humilde.
Meu poema e meu pão
Eternizam a terra do amor. |