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José Terra

 

 


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Canto fraterno

Meu irmão prefere violão à guitarra
É clássico e Romeu

Minha irmã prefere piano à bateria
É erudita e Julieta

Nas cartas de amor da música

minha vizinha sonha com o tango de João
e meu vizinho com a valsa de Mariama.

 

O maior amor do mundo

            para Pedro Poema, meu filho.

Quando Deus viu Pedrinho pela primeira vez
Quis compor os astros
                Os mistérios
                As exuberantes danças
Com o Amor Maior do MENINO-POETA

Amante do amor de Pedrinho
Deus entrou no leilão do jardim e comprou tudo
- Quero os desenhos do sol
Com o coração de Pedrinho.
O maracatu das flores
Quero com o corpo de Pedrinho.
Quero o romantismo das jardineiras
Com a alma de Pedrinho.
O sonho dos jardineiros
Quero com a Poesia de Pedrinho.

Pacífico e azul
Pedrinho fez um pedido a Deus
- Meu painho maior,
Quero apenas a bolinha de cristal do mundo para                                                          [amar!!!

No cantinho da sua lírica
Deus disse a Pedrinho
- És o que não dei ao vento e ao verão
O POEMA DE ARREPIAR

 

Inscrito no coração

            para Mestre Biu, meu avô.

Vive o alfaiate
no lugar enxuto do seu coração
Ele dá vez e voz à mini-saia da prostituta
                       à blusa da mulata
                       ao viajante errante
                       ao pedaço de néon
e até o vestuário da cortesã tem uma costura inédita

Rasgam-se os ocidentes
seus homens com ternos de marfim e remendos no
                                                           [coração
passam pela linha do homem bom

Devoram-se os orientes
todos os vestidos castigos camisas e calças
são inventados pela agulha do homem bom

Fraternura, o que seria da Poesia do Mundo
              se fossemos cobrar o que devemos ao                                                [homem bom?

E as crianças do homem bom
Brincam de Palmares e Porto Calvo
E os poetas do homem bom
maravilham as mulheres azuis
E os loucos do homem bom
Criam Júpiter e Sagitário

Tudo é colibir para o orvalho do alfaiate

Vive o alfaiate do boêmio do poeta da mulher

 

Mulher – Água

            para Dona Carminha, minha Avó.

Ela é espírito
Vestido azul-turquesa, casamento de cristais
E será destino
Na cidade da palavra
E no sonho de Iemanjá.

Ela é fé
Perfume de mãe, desenho de maçã
E será vitória
Na casa do pecado
E no vinho do crepúsculo.

Ela é emoção
Música da lua, serenata de bacalhau
E será perfeição
Na livraria de Deus
E no diamante do trabalhador.

Meu poema e meu peixe
Eternizam a água do amor.

 

Mulher – Terra

            para Solange Crasto, minha Mãe.

Ela é sangue
Relva de Deus, evangelho amarelo
E será alma
Na linha do tempo
E no romance do príncipe.

Ela é caridade
Mel de engenho, elegante latina
E será sonho
Na passarela olímpica
E no carnaval do sertão.

Ela é razão
Arquitetura de Maria, medalha dos anjos
E será verdade
Na ceia do sol
E no topázio do humilde.

Meu poema e meu pão
Eternizam a terra do amor.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

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