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José Tavares Jofilsan
(Pernambuco)

 

 


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FRAGMENTOS III

É preciso transladar
Transpor
É preciso transmutar
Transformar
Transbordar o excesso de si mesmo

A TV embrutece a poética
Incuba o impulso
Confina a ânsia
Castra a metáfora
Desnorteia a busca
Embota a meta

RECIFE, debaixo das marquises
Filas de ônibus se amontoam
Homens de paletó, esperam a chuva passar
Debaixo das marquises
Velhas hipocondríacas espreitam o próximo táxi
Meninas dançam “na boquinha da garrafa”
Debaixo das marquises
Meninos de rua cheiram cola
Casais de namorados tiram “sarro”
Travestis fazem ponto
Debaixo das marquises
Impiedosamente famílias moram
Garotos de classe média, fumam
Prostitutas insistem na profissão
Debaixo das marquises
Espero a vida passar

Minha alma vaga
Na crueza de um amor destrutivo
Minha alma veleja
Mares revolto e sombras de um desejo perigoso
Minha alma paira
Sobre teu corpo de luz e fogo numa ferida exposta
Minha alma sublima
Na transcendência brutal de uma paixão mórbida

Meu último ato consciente
Surtar na frente da tua casa
Meu ultimato existente
Surfar no trem pro Cabo
E, me espatifar nos dormentes
Com toda volúpia da embriagues espiritual

Sou alcoólatra graças a Deus
E a Baco, ateu

Estou fingindo de mim mesmo
E fugindo do que poderia ser
Porque o riso e o risco da existência persegue

Como parar o fluxo do tempo
Como congelar o sentido dos momentos
No relógio cósmico
Nas engrenagens do micro universo
Como juntar os pontos do espaço
Das três, das quatro, das tantas dimensões paralelas
Como juntar os quatro cantos do mundo
E dá um nó nas curvas perigosas da gravitação que atrai
Como retorcer a distorção do nada
Como contorcer o que já é torto
Com quantos pontos pode-se ser eterno
Com quantos momentos pode-se ser múltiplo

 

SONETO AS AVESSAS

Não sei amar a calma
Não sei da paixão suave
Nem do carinho leve

Só sei rasgar as entranhas
E ir do prazer infinito da dor
Expondo víceras e alma
Ao sabor do desejo mais profano

Não sei amar o cotidiano
Não sei da paixão homeopática
Nem do carinho cronometrado

Só sei do momento bárbaro
Que aflora erupção vulcânica
E sublima a mortalidade
Na mas profunda satisfação animal

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

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