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José Raulino Sampaio
(1897 - Barreiras/Bahia - 1989 Petrolina/Pernambuco)

 

 


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FECUNDAÇÃO

ANSEIO CAPTAR, ALÉM DA FANTASIA E DA VERDADE
UNIVERSAL, A ALMA DAS LIÇÕES DE MAIAKOVSKI.

Segura o poema na aurora
do seu nascer
quando ele vier das fontes vivas
           dos teus sentimentos,
das tuas impressões
ou dos teus sonhos.

           Segura o poema, avaramente,
           ao crepitar
           da primeira labareda,
que nasce do atrito mental
em plena função creogênica
           para a forma orgânica
           dos caracteres.

Segura o poema na concha das tuas mãos
banhadas na pureza sacramental da lírica
           e toma-o como uma prece
           na taça sedenta e cristalina
           do pensamento vivo e silente
e verte-o no teu sangue
e em teus nervos,
s i l e n c i o s a m e n t e.

           E silenciosamente deixa-o gravar-se
           na tela psico-sensorial do Eco.

Segura o poema com as cores
e os sons todos da fantasia
enquanto eles bailem
nas areias do castelo encantado.

           Segura o poema piano do aroma
           e do mistério com que ele sai
           da retorta circunvolar
           da mente
           ou enquanto esvoaça
           na redoma sagrada do sonho.

Segura o poema na essência deífica
ou na virgindade virtual
           como um novo Paracelso;
           mas, destina-o qual oferenda
           ao mundo
           na ânfora da palavra imortal.

Seu poema, - essa voz da tua vida -
no branco escrínio
de celulose impressa,
marmórea e eterna,
para a unção da leitura
consagradora,
como ele te foi gritado
por vozes do Infinito
após o eco colorido
nas muralhas irisadas do estro.

Segura-o. Segura-o para sempre
na forma mais ampla, multicolorida
           e poliforme do verbo universal,
           da pluralidade das vozes
           que vieram do Éden.
                     (1979)

 

 

Fonte:
Poética Ribeirinha – Antologia Literária de Petrolina
Elisabet Gonçalves Moreira
UPE - 1998

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