FECUNDAÇÃO
ANSEIO CAPTAR, ALÉM DA FANTASIA E DA VERDADE
UNIVERSAL, A ALMA DAS LIÇÕES DE MAIAKOVSKI.
Segura o poema na aurora
do seu nascer
quando ele vier das fontes vivas
dos teus
sentimentos,
das tuas impressões
ou dos teus sonhos.
Segura
o poema, avaramente,
ao crepitar
da primeira
labareda,
que nasce do atrito mental
em plena função creogênica
para
a forma orgânica
dos
caracteres.
Segura o poema na concha das tuas mãos
banhadas na pureza sacramental da lírica
e toma-o
como uma prece
na taça
sedenta e cristalina
do pensamento
vivo e silente
e verte-o no teu sangue
e em teus nervos,
s i l e n c i o s a m e n t e.
E
silenciosamente deixa-o gravar-se
na tela
psico-sensorial do Eco.
Segura o poema com as cores
e os sons todos da fantasia
enquanto eles bailem
nas areias do castelo encantado.
Segura
o poema piano do aroma
e do
mistério com que ele sai
da retorta
circunvolar
da mente
ou enquanto
esvoaça
na redoma
sagrada do sonho.
Segura o poema na essência deífica
ou na virgindade virtual
como
um novo Paracelso;
mas,
destina-o qual oferenda
ao mundo
na ânfora
da palavra imortal.
Seu poema, - essa voz da tua vida -
no branco escrínio
de celulose impressa,
marmórea e eterna,
para a unção da leitura
consagradora,
como ele te foi gritado
por vozes do Infinito
após o eco colorido
nas muralhas irisadas do estro.
Segura-o. Segura-o para sempre
na forma mais ampla, multicolorida
e poliforme
do verbo universal,
da pluralidade
das vozes
que
vieram do Éden.
(1979) |