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José Olivá Apolinário
(1948 Ipubi/Pernambuco)

 

 


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OUVINDO “TROIS NOCTURNES” DE DEBUSSY

Estou.
Ode ao Onde.
Ah! Passado! Antepassados!
Cobrança na língua (gem)
Aqui. ONDE?
        Estar instar na correnteza
        firme
        coração
        ação.
Catherine Deneuve,

beleza        fugaCIDADE

Deus existe. O onde aonde?

 

SEGREDOS

Segredos ao meio dia,
neste coração penumbra
espessa. Estes silêncios
côncavos mudando
prosseguir, enquanto
o frio não tornar
lembranças estas armas sutis
com tanta observação
trabalhadas.

Libertas dos domínios
duas chamas se entrelaçam,
amor resistindo à terra.
Luta eterna terna interna.
Cada um se embrenhando
na própria selva pelas cabeças
construída.

Correr de criança puxa-me.
Sorrisos impressionistas.
Segredos.

 

RADIOGRAFIA

Andaime
                                              pedreiro
pedreiro
                                              andaime

o ortopedista olha radiografias numa manhã parda
e só vê

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES
    ANDAIMES    ANDAIMES    ANDAIMES

 

OPERÁRIO

Trabalhar
o poema
com o transpirar invisível

trabalhar
o poema
haja visto o esforço incrível

trabalhar
o poema
apesar do trabalho temível

trabalhar
o poema
quer chova, quer faça sol

trabalhar
o poema
conscientemente...

 

 

Fonte:
Poética Ribeirinha – Antologia Literária de Petrolina
Elisabet Gonçalves Moreira
UPE - 1998

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos