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José Menin
(1984 Olinda/Pernambuco)

 

 


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ACALANTO PARA O SONO

Do espírito igual
os corpos em luz

e a mãe afetuosa
nos põe a ninar
no ninho

Embalados por sua voz
descansando em nossos rostos
dormimos

para habitar outro rio

o ventre comum
dos irmãos
coberto pelo manto
de seu canto

 

QUEDA

Preso
Às rudes amarras
Da gravidade

Cai do alto
Meu corpo

Dois minutos.

Sonhar o pássaro
Que eu nunca serei.

 

DA MATÉRIA

Antes da queda: queda

Resgato enigmas em meu ventre.

Meus dentes escrevem o futuro.

A ciência não saberá o que digo.

Não sei o que digo e finjo
e uma parede de ilusões
desaba sobre mim.

A garganta esconde o grito
e meu sangue disfarça
a poeira de estrelas
de que sou feito.

 

DIVERSOS

De mãos dadas
Não caminhamos entre os dias e as noites

De mãos dadas
Não caminhamos entre os meses e os anos

De mãos dadas
Não caminhamos entre os séculos

Tampouco no rigor das estações

Nos amamos
Um pouco acima do tempo.

 

CHUVA LÁ FORA

Meu bem
Chuva de ouvir
Lá fora.
Vem

É noite
A lua descansa
Feito criança
Zen

O vento
Canta
Seu mantra
Zen

Meu bem
Chuva de ouvir
Lá fora
Vem

O acaso
Inventa sorrisos
Refaz o mito
Zen

O tempo
Mágico nos espera
Na esfera
Zen

E a chuva lá fora.

Meu bem,
Você vem?

 

AMENIDADES

Tempo de sol     tempo de chuva
Tempo de sol                de chuva
Tem         sol       em         chuva
           de sol
                                e só chuva
      ssssssss                     chuva
                                        chuva
                             caindo lá fora
(bom pra dormir)

 

A FÊMEA

Seu cio
Será céu?

Os anjos não sabem.
Brincam de luz.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

 

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