AMOR MADURO
Quero o teu corpo marcado, querida,
por tantos beijos sabidos a sais;
provocações deste ocaso da vida
quando a paixão já remansa na paz.
Quero o teu corpo, também na descida,
quando essas rugas exibem sinais
do tempo que avança pra despedida
apenas pro corpo... pra alma jamais!
Não nos iludem as falsas questões.
Eis estreitados nossos corações
para vivermos as boas venturas;
apaixonados... nós nisso quedamos,
enquanto Cronos se perde nos anos
Eros nos acha num céu de ternuras!
POEMA DE RITMOS E GEOMETRIAS
Há , sim , poemas redondos ,
talvez mesmo arredondados ...
Circunstancialmente oblongos
sonhando serem quadrados.
Poemas curvilíneos há
da geometria mais rebelde!
Não! Por Deus , como formas estranhas?
Acaso capazes do novo , não somos todos
arquitetos das curvas dos sonhos?
A todos quero , galhardamente marcantes ,
cárdios - versos na batida certa...
E como os anseio , sinfonia aberta
às dissonantes emoções . ..
Percebo neles variados caminhos
e quem se atreveria a tomar
alguns deles por certos ?
Caóticos ... disciplinados ...
Versos são acordes
e o poema orquestração ...
Quanto à forma vestem os lados
curvos , retos ou enviesados .
Tudo apenas ... configuração!
Há em cada poema tão só ,
por ousados versos livres
ou dado a rimas e ao metro ,
mero poeta liberto
a contar , irremediavelmente ,
aquilo que , ousadamente ,
às vezes sonha ; quem sabe, sente ...
|