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Jonhatan Leandro Oliveira Gomes
(1985 Sítio Caiçara, Bodocó/Pernambuco)

 

 


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A Seca do Nordeste

Caros amigos leitores
prestem atenção com cuidado
que vou contar uma história
pertencente a comunidade
sobre a seca do nordeste
deixando tudo arrasado

Falta chuva no Nordeste
não temos alimentação
porque a roça não produz
mandioca nem feijão
arroz, milho e batata
a mamona e algodão

Devido a falta de chuva
do sertão até a serra
o povo correndo tanto
que só parece uma guerra
tocando roça e perdendo
agricultor só se ferra

Meus amigos veja agora
com essa tal de energia
a gente tava contente
sempre havendo alegria
mas com o racionamento
acabou a alegria

Chegou uma tal de meta
para a economização
quem ultrapassar um ponto
ficará na escuridão
por isso meus companheiros
cuidado no apagão

Fazendo economia
a conta diminuirá
são diversos os problemas
que eu preciso contar
sobre as águas que são poucas
para a nação sustentar

Açudes não pegam água
porque as chuvas são finas
se vem uma trovoada
todo povo se anima
e sempre se torna em nada
passa somente neblina

É dessa forma pessoal
que o nosso nordeste fica
o povo ficando louco
indo atrás de carro pipa
que chega para os escolhidos
e o mais como é que fica?

Aqui no nosso Nordeste
povo não tem razão
veja que só são lembrados
em tempos de eleição
visitados por candidatos
sempre lhe estendendo a mão

Minha gente a coisa é feia
falta água e alimento
mesmo para os animais
cavalo, burro e jumento
sofre gado, porco e bode
grande descontentamento

Para dar água aos animais
tem que ir ao cacimbão
puxando num carretel
fazendo calo nas mãos
o pobre do nordestino
vivendo a desilusão

No Nordeste do Brasil
no sertão, serra e agreste
o povo vive lutando
o sofrer se desembesta
a seca arrombando tudo
tudo bom e nada presta

Nas estradas nordestinas
o povo vive a andar
a procura de emprego
todos querem trabalhar
ganhar uma inharia
para a vida sustentar

Há pessoas em nosso Nordeste
que a vida não é boa
andando e perdendo tempo
a seca dele caçoa
perde até noite de sono
vivendo a vagar a toa

Não tendo pra quem apelar
resolve logo a pedir
esmola como ajuda
para a família remir
devido não poder comprar
por dinheiro não existir

Falo sério meus senhores
criadores de animais
a pastagem está faltando
botando o povo pra traz
tem que apelar minha gente
para as forças divinais

Até mesmo os fazendeiros
já não podem suportar
comprando pasto e ração
levando a vida a lutar
para que o seu rebanho
lê possa sustentar

Amigos falo a verdade
é tristonho a gente ver
uma vaca boa de leite
um bezerrinho perder
a magreza tomar conta
ver em fim tudo morrer

Vejam que os passarinhos
já não podem mais cantar
por falta de alimento
não conseguem mais trinar
só ficam aqui no Nordeste
os que não sabem migrar

Jumento solto no mato
é o que se ver de muitão
somente lambendo terra
no meio da solidão
por que pro nosso Nordeste
não tem uma solução

Eu lamento tudo isso
por causa dos animais
da alta temperatura
a seca que é voraz
a estupidez do tempo
para com os vegetais

O meu povo nordestino
sou obrigado a falar
que da serra ao sertão
ninguém vem nos ajudar
pôs gente de nossa terra
só tem direito a votar

Numa seca igual a essa
se vive de aventura
quando se acha sem água
vai correndo à Prefeitura
rogar por uma pipa d’água
para diminuir a secura

Vai a um vereador
ele lhe responde assim
eu vou providenciar
pode confiar em mim
vivemos dessa promessa
do começo até o fim

O interesse dos homens
é buscar alguém que vote
mas passada a eleição
o eleitor que suporte
sem carro para voltar
cada qual que se derrote

Eu mesmo vou levando a vida
com alegria e contente
trabalhando todo dia
pisando no solo quente
e pedindo sempre a Deus
que proteja o inocente

Continuo a escutar
pedindo sempre a Jesus
que me dê boa memória
vida, saúde e luz
caminhos abertos e limpos
para carregar a cruz

O sonho de minha vida
é um dia me formar
mesmo no professorado
desejo me colocar
na velhice de minha mãe
poder eu lhe ajudar

Peço desculpa os leitores
por minhas fracassadas rimas
porque a gente no mundo
os passos Deus determina
espero com sua bênção
poder cumprir minha sina.

 

 

Fonte:
Cordel: A Seca do Nordeste
Autor: Jonhatan Leandro Oliveira Gomes
Projeto SESCordel
Juazeiro do Norte/CE

 

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