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Joel Marcos
(1975 Pernambuco)

 

 


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COMIDA NA CAMA

Por debaixo dos cobertores,
papai e mamãe
se esqueceram da fome
e jantaram-se.
Ao som de violinos
em noites de gala.

 

GESTO

Pediram-me um símbolo
que tirasse riso e lágrima.
Não hesitei.
Estendi as mãos,
depois as fechei.

 

ÍNDIOS OU NATIVOS

... e a caminho das índias,
navegantes gritam:
terra à vista!
Com suas riquezas, qual formosura,
caminham como Adãos e Evas
(ainda no paraíso)
e "DEUS'', com todas as suas armas,
com todo o seu poder,
desce de sua nave,
pisa em terra firme,
espanta, escraviza e mata.
E diz que são das Índias,
os nativos do Brazil.

 

QUANDO CRIANÇA

Quando criança,
a minha arma
de madeira
ao certo
sempre carregada,
comia som e chão
e sonho.
Brigar?
Brincávamos...
De polícia e ladrão.
Hoje, eu sou polícia.
Não, sou eu
par ou ímpar.
Ganhei!
E era uma correria;
e todos eram pegos;
e ninguém morria.
Às cinco horas,
acabávamos as buscas,
corríamos ao chuveiro,
ou à beira da cacimba,
e estibungue:
baldinho cheio,
água e suor,
café com pão,
barra bandeira,
corre-corre,
pega-pega,
esconde-esconde,
beijinho...
Empinar pipa,
bola de gude,
futebol,
discoteca.
As amizades são outras.
Em terra de criança,
homens que brincam,
dormem cedo.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

 

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