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JOCA DE OLIVEIRA
ABISSAL Não sou peixe
de superfície, de águas claras. Não sou peixe
que pula à tona, à toa, Sou peixe que mergulha
fundo, Sou peixe feio, sozinho, Sou peixe amorfo,
nu, Rochas e sombras. Sou peixe enterrado
nas esferas do habitat maior, Sou peixe magro,
de barriga grande Sou peixe inquilino
da vida,
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João José de Oliveira,
filho de José Sebastião de Oliveira e Amara Duarte de
Oliveira, nasceu a 23 de junho de 1956, em Ribeirão, Estado de
Pernambuco. Aos quinze anos, completou seu curso ginasial no antigo
internato do Ginásio Agrícola de Escada, no município
de Escada - PE. Depois, foi para Barreiros – PE, também
em regime de internato, cursar o Técnico Agrícola, no
Colégio Agrícola João Coimbra, de onde só
sairia em 1974. Até então, a poesia não fazia parte
de sua vida. Guardava alguma lembrança dos cordéis que
seu pai trazia da feira, na infância. Mas, na adolescência,
gostava de ler romances e ensaiava textos em prosa. A formação
de Técnico em Agricultura lhe causava insatisfação.
Sempre preferiu as Letras. Dos estrangeiros, lia, principalmente, Hemingway,
Dostoiévski, Voltaire, Melville e Stendhal. E, dos nossos, Érico
Veríssimo e Jorge Amado. Dos poetas, os mais conhecidos, Drummond,
Bandeira e Gullar. Com o término do período dos internatos
e a transitória volta à casa dos pais, Joca de Oliveira,
como é conhecido, passou a ter um contato mais próximo
com um talentoso poeta de sua rua: Antônio Olívio Ramos.
A proximidade com o amigo e vizinho foi o que introduziu o autor no
mundo da poesia e de onde ele nunca mais saiu. Em 1975, seguiu para
Recife e tentou vestibular para Medicina, não sendo feliz no
resultado. Entre 1976 e 1977, cursou Administração de
Empresas na Unicap. Nesses dois anos, surgiram os primeiros versos nas
mesas de bares, e a boêmia era muito mais divertida do que o estudo.
Na época, morava numa pensão da rua Nunes Machado. Juntou-se
à solidão daquela rua a companhia de sua alma desarvorada
de rapaz interiorano, meio perdido na metrópole, e não
houve ambiente melhor para o desenvolvimento intelectual de um poeta
introspectivo, triste, com tendência pessimista, mas com um conteúdo
humanístico e social fortíssimo, aguçado pelas
primeiras experiências numa cidade grande e pelo choque de sair
de uma vida quase monástica do internato para o turbilhão
de sentimentos jogados diuturnamente em sua vida pela paisagem recifense.
Em 1978, abandonou o curso na UNICAP e começou a trabalhar. Retornou
a Ribeirão tempos depois, enfrentando alguns altos e baixos por
conta da irresponsabilidade boêmia. Em 1981, retornou à
capital, com muito apoio e pouco dinheiro; dessa vez entrando no curso
de Direito da UFPE. Foi morar na CEU - Casa do Estudante Universitário,
cuja diversidade cultural do ambiente se tornou palco propício
para a divulgação dos seus poemas e escritos em prosa.
Conheceu e tornou-se amigo dos poetas Xico Sá, Wilson Vieira,
Klébio Coelho e Manoel da Rocha, assim como foi também
contemporâneo dos músicos Antônio Reinivaldo (o Crente),
Walmar (já falecido) e do pessoal de Comunicação:
Wandeck Souza Santiago e Cícero Tavares de Melo, o Chiquinho
Olem. Tornou-se amigo e, logo depois, compadre de Roque Braz, parceiro
em músicas e poesias.
música: The Long and Winding Road (The Beatles) foto: Sennor Ramos
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| INTERPOÉTICA
© 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos |
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