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Joaquim Francisco Siqueira
(1952 Tabira/Pernambuco)

 

 


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MOTE

Quando a chuva cai na terra,
Se sente o cheiro do chão.

No início de janeiro
Quando chega a invernada
O homem pega a enxada
E vai pra roça ligeiro
Vê água no barreiro
Alegra seu coração
Vai fazer a plantação
Conta a semente e não erra
Quando a chuva cai na terra,
se sente o cheiro do chão.

Quando a chuva se forma
Do Norte para o nascente
O roceiro alegremente
Sua família conforma
A onça na furna rosna
Com medo de um trovão
Os sapos no caçimbão
Uns cantam e outros berram
Quando a chuva cai na terra,
se sente o cheiro do chão.

O vaqueiro do Nordeste
Se levanta bem cedinho
Pega seu cavalinho
Sua roupa de couro veste
Monta e vai fazer um teste
Se ainda é um campeão
Vai enfrentar o barbatão
Na carapuça da serra
Quando a chuva cai na terra,
se sente o cheiro do chão.

Quando vem a chuva fina
Do mês de maio para junho
Eu arregaço as mangas e os punhos
Dou graças à mãe divina
Quando a noite se aproxima
Vem logo a escuridão
O dia perde o clarão
Quando o pôr do sol se encerra
Quando a chuva cai na terra,
se sente o cheiro da chão.

Quando amanhece o dia
O mato fica orvalhado
O roceiro animado
Levanta com alegria
Pega a enxada e a bacia
E vai fazer a plantação
Quando há inverno no sertão
Acaba a fome e a guerra
Quando a chuva cai na terra,
se sente o cheiro do chão.

 

 

Fonte:
Poética Ribeirinha – Antologia Literária de Petrolina
Elisabet Gonçalves Moreira
UPE - 1998

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