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Joanna Timburtina
(1860 - 1905)

 

 


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MEUS SONHOS

"Se o futuro atirar-me algumas palmas
As palmas do cantor são todas tuas"

Eis meus sonhos gentis, eis minhas horas
         De doce inspiração!
Eis os sorrisos, os cruéis agrores
         Dum triste coração!
Notas sem arte, que no ardor da cisma
         Saltou meu peito um dia,
Não têm eles a luz dos grandes gênios,
         Não têm maga harmonia.
Flores crestadas com o soprar do vento
         De atroz contrariedade,
Exprimem as descrenças prematuras
         De minha mocidade.
Transuntos de um viver que se alimenta
         De tristes ilusões
São os idos e ternos companheiros
         De minhas solidões.
Crestados como são com o sopro ardente
         Do fatal impossível,
Mal podem exprimir um sentimento
         Sublime, indefinível!

 

A VIRTUDE

Os prazeres da vida se extinguem,
Os sorrisos transformaram-se em prantos;
Só a santa virtude viceja
Lindas flores de gratos encantos.

Se as tormentas oprimem o peito,
Se a desgraça na vida ressurge,
Inda assim a virtude é mais bela,
Mais formoso seu brilho refulge

De que valem soberbos troféus,
Se a virtude não orna a nobreza!
Quando ausente essa deusa reside,
Fogem galas, brasões a riqueza.

Só é ela quem traz a ventura,
Quem resiste aos horrores da morte!
A virtude é o grato santelmo
Que nos livros dos transes da sorte!

 

 

Fonte:
Pernambuco, Terra da Poesia
Organizadores: Antônio Campos e Cláudia Cordeiro
Editora Escrituras - Recife 2005


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