VOLTAR À PÁGINA INICIAL

 

Jimenna Rocha
(1986 João Pessoa/Paraíba)

 

 


A
B C D E F G H I J K L M

N O P Q R S T U V W X Y Z

 

 

Revelação

Estar contigo
É trancar-me
numa cela de prismas
E descompor-me
Ao teu olhar

É ter mais cor.

 

Carnavale

Vale de carne
Tostando ao sol
A mercê
de qualquer boca.

 

Sobre Homens e Ampulhetas

"No se detiene nunca la caida
Yo me desangro, no el cristal. El rito
de decantar la arena es infinito
y con la arena se nos va la vida."
Jorge Luis Borges

 

Como terrena
não destôo
do rigor
da gravidade.
Me entrego
humildemente
pouco a pouco

Sem pretensões
sem heresia
seguindo a lei.
Sem vaidades
desmistifico
a transcendência
de ter alma.

A lucidez
de ser perene
meu envoltório
me resgata
ao chão
sem ilusões
de reviravoltas.

Deixo aos místicos
o afã da
eternidade
E à ampulheta
o incansável
labor
de resgatar o pó
ao solo.

 

Análise

O prazer em nós
é frágil como os segundos
fugazes, assim, vivendo-os
e na abstração se encontram
avultados em forma de hora.

 

Sem título

...todo dia Amélia salta sua constância
no ímpeto que até a mais vil coisa tem de aspirar
nem que seja fragmentos diminutos do indizível

vai ela remexendo o impalpável
sacudindo grãos no espaço
pra semear uma ilusão qualquer

no turbilhão desse pó mágico
sobe terra, cimento, micro-vidas
na atmosfera, congregados: um castelo!

Vem as horas, o marido, a gravidade
velhos hábitos: a comida, a novela
ficam os pratos, a poeira, a ilusão
suspensos, se acumulam pro amanha...

 

Exercício de inutilidade

Quantas folhas rabiscadas
É o domínio da inutilidade
A tinta escorre, coitada
Abortando ao suministro de papel
Melhor que se poupasse.

Mas essa víbora te obriga
-Cospe vagabunda!
Quero ver almas nessa sala.

 

 

Fonte:
Recanto das Letras (por indicação da autora)

 

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos