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Jessier Quirino
(1954 Campina Grande/Paraíba)

 

 


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RESPONDENDO O PERGUNTADO

– Cumpade véi me responda
Que diacho cê tá fazendo
Se tá liso ou tá roubando
Se tá plantando ou colhendo
Se tá se rindo ou chorando
Se tá solteiro ou amando
Se tá lucrando ou perdendo.

Se anda raparigando
Se tá parado ou correndo
Se tá esperto ou bestando
Se tá jogando ou bebendo
Se tá perdendo ou ganhando
Se tá calmo ou tá inchando
Se tá vivendo ou morrendo.

– Cumpade eu me acho velho
Caco de bunda tremendo
Não tou liso nem roubando
Mas tou plantando e colhendo
Às vezes rindo ou chorando
Viúvo, não tou amando
Tou lucrando, não devendo.

Não ando raparigando
Nem parado nem correndo
Esperto, não tou bestando
Nem jogando nem bebendo
Nem perdendo nem ganhando
Tou calmo não tou inchando
Tou vivendo e aprendendo.

 

CASÓRIO LIBIDINOSO

Devidamente noivoso
E por fim raparigado
No Civil-libidinoso
C`os papé tudo passado
Mané Pequé e Bastinha
Casaram de manhazinha
Sem Padre e sem delegado.

Empurraram dedo a dentro
Uns ané amarelado
Juraram ser um do outro
Como a listra é do listrado
Beijaram os braço correndo
Como assim, quem tá comendo
Espiga de milho assado.

Espiando os olho dela
De espelho acastanhado
Tava Pequé, alegroso
Com os oião aboticado
Feito Einstein linguarudo
Cientista dos estudo
Com o linguão dependurado.

Fizeram um brinde gelado
Com cerveja cu-de-foca
Jogaram uns arroz pra cima
Com dois mirréis de fofoca
Deram tchau! e se mandaram
Pra o que mais se preparam:
Fornicação e beijoca.

Olhando as teta apojada
Descosendo o califom
E feito um músico inspirado
Gozando em riba do som
Tava Pequé nos peitinho
De boca e dedo mindinho
Fura-bolo e seu-vizinho
Fazendo deles pistom.

Se anuviaram em chamego
Baixaram os fogo com gás
Beijo de penicilina
Aplicaram até demais
Mancharam os pano de baixo
De nódoa de mangará
E mode os dois se provar
De manga se disfarçaram
Rebolaram, rebolaram
E cuidaram em se champrar
Porque nesse caquiado
Pequé, feito um cadeado
Via a hora se enrabar.

 

NORDESTE DESAJUDADO

...E é nesse nordeste tão desajudado
Que eu jangadeio com meu versejar
Vejo um violeiro no seu pontiar
Musando uma musa que já deu nos calo
Enxergo um canteiro de crista de galo
Simiantemente a do dito animá
De folha de sonho a pé sossego
De tudo se encontra por esses quintá
E embora a dureza castigue lá fora
Se encontra um matuto sem muita demora
Que empresta o cachimbo pra se maginar.

Empresta o cachimbo pra se maginar
Nos antigamentes daquele costado
Com a sonolênça dum bucho armoçado
Quebrando o palito da tal digestão
Se alembra da dona do seu coração
Que a lágrima era doce, que a voz era pura
A sua figura muda de figura
Pede licencinha a Nosso Senhor
E vuco-te-vuco, assanha o bigode
Se apruma nas bota logo se sacode
Se embrenha no mato sofrido de amor.

 

DESAFORISMOS MATUTAIS

-Pedim de Mané Capado?
Me fazer uma visitinha?
Pois diga a ele que venha!
Mas que venha apetrechado
Armado e municiado
Muntado na vovózinha!

Aquilo é veado môcho
Sabuguento duma figa
Fí de pai véi espantado
Bisneto de rapariga
Fí de feme de reboque
Boiôso que nem me toque
Fabricador de intriga.

Cara de pinha amassada
Cafifento e encostão
Maracujá de gaveta
Cadáve sem oração
Esprito papagaioso
Xexêro, testiculoso
Miséra, frouxo do cão.

Aquilo não tem registro
Muito menos escritura
Não tem fí que dê o nome
Tem metro e mei de altura
Aquilo é chei de mistério
É rato de cemitério
Roubador de sepultura.

Aquilo é bicho bargado
É coice de rifle ruim
Sujeito precipitante
Comedozim de capim
Mosca de fumo seboso
Sujeitozim e pegajoso
Danisco de pituim.

Pai de chiqueiro entufado
Gerente de traficança
Não vale o peido da gata
Essa vibra sem sustança
Insosso, despimbolado
Desgovernista empurrado
Tirador de confiança.

Aquilo é veáco duro
Chupado da carochinha
Hotel de pulga e piolho
Que rouba fel de galinha
Não vale um grão de aval
E nem cocada de sal
Nem um guti de farinha.

Um bom trompaço eu dispêio
Na pessoinha do cujo
Com mantença de moral
Piso na raia e não fujo
Encaro o caceteado:
Bofetante e bofetado
Vira-latando o rabujo.

 

 

Fonte:
Jornal da Besta Fubana

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