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Jair Martins
(1952 Recife/Pernambuco)

 

 


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A GARGALHADA DA NOITE

Uma estrela caiu
Fazendo cócegas na noite.
A aberta boca negra
Presa a mandíbula da lua
Que ilumina os seixos
No fundo do rio,
Deixa que os pássaros agrueiros
Risquem o céu de pavor.
Nesse túnel espacial
Ouve-se risos,
São os lábios da noite
Vazando gargalhadas
Pela façanha de uma estrela caída.
Mas a estrela não sorriu.
Chegada à aurora,
O sol a retornou ao seu lugar
E o eco da gargalhada da noite,
Perdeu-se entre as nuvens
Que sugam a água do mar.
Choveu.

 

A LÁGRIMA INSULTADA

A franja da praia
Arrasta para o mar
Meu pranto ofertado.
Nesse infinito das infinidades
Os peixes não devem ser incomodados.
Mergulho nesse silêncio a lágrima insultada.
Preciso que ela se misture as grandes águas,
E afogue o seu grito
E para sempre não se ache
Para sempre se cale.

 

A Pétala

Cai uma pétala sobre as águas do rio,
desliza sem destino.
Tão só, conversa com o vento que a distrai,
levando-a de um canto a outro,
na companhia do sol que a atrai.

Solta por mãos desiludidas,
corre ao encontro do nada,
como nada representou
aquela rosa a quem pertencia,
que morreu junto com o amor
que a despetalou.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

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