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Jaime Marcelino

 

 


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Reveillon das borboletas

As borboletas azuis
Estampadas na cortina do banheiro
São borboletas mortas
O silencio vela por elas e por mim
Enquanto os fogos de artifícios
Festejam a minha solidão
A voz fria e metálica
Do outro lado da linha telefônica
Deseja um feliz ano novo
Embora deseje para ela mesma.

 

A espera

O gole, o chope
As batidas cardíacas
A espera, a cidade
As horas aflitas...
As mesas, as cadeiras
O grande sofá vermelho
O reflexo, a sala
A imagem do bar no espelho
O medo, a ausência
A transparência da cidade
O vulto, os passos
As luzes no teto da rua
A vista através da vidraça.

 

Solidão de poeta

Tem noites
Que me vem com o vento
A saudade
Tem outras noites
Que vão os amores,
Mas sempre me restam
Os poemas.

 

Discurso do silencio

Tornei o silencio meu discurso
Pois as palavras
Não tem me adiantado de nada
Estão caducas
São palavras sem sentido
Para os ouvidos alheios
São palavras ao léu
Que proferem discursos
À-toa e morrem.

 

Exílio
A Miguel Arraes

A minha partida
É o inevitável início
De novos caminhos.

 

O sétimo dia

O primeiro dia foi a paixão,
As palavras.
O segundo dia foi o medo,
Os sofrimentos.
O terceiro dia foi a dúvida,
As incertezas.
O quarto dia foi o susto,
As tristezas.
O quinto dia foi o suicídio,
As escolhas.
O sexto dia foi o silêncio,
Os vazios.
O sétimo dia foi o luto,
As lágrimas.

 

Pacto

Ofereço-te a estrela mais brilhante
Dessa e de todas as outras noites
Tão reluzente quanto esta
E quando olhares para o céu
E vires nele a mais intensa das estrelas
Há de ser a tangente que nos une.

 

Pôr-do-sol

Sinto uma necessidade inexplicável
De vê-la todas as manhãs.

 

Soneto de uma noite boemia de sábado

Convidado pelo destino
Naquela noite de frio, fui buscar
Na solidão noturna de um bar
A esperança para meu desatino.

De dentro do bar veio teu canto
Cheio de sentimento e encanto
Acordando da morte decidida
A minha malaventurada vida.

A bebida gelada, a promessa distante
Fez-se imóvel aquele instante
Cheio de música e incertezas.

Chorei por teu amor calado
Numa noite boêmia de sábado
Como quem descobrira a sina.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos