| ESSES BAILES DE
MASCÁRAS
Foi à festa de casamento
da última filha virgem
sentia-se realizada
beijava o bom marido
de minuto a minuto
gratificada.
Brindou à felicidade certa
dos noivos
como a sua.
Quando voltou e tirou
a máscara
não agüentou olhar-se
nos múltiplos espelhos
do quarto.
Amanheceu morta na banheira
inoxidável.
ESTAÇÕES
Todos os anos
ventos vêm lá do mar
brincando de carteiros
para mudar a temperatura
para mudar tudo e a gente.
E a gente só muda de roupa. |