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Ivan Marinho
(1965 Maceió/Alagoas)

 

 


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ALBERTO DA CUNHA MELO

Condenação e sacerdócio
Fazem de alguns homens Deus,
Onipresentes nas veias
Do universo ateu.

E nas plagas da ausência
Descortinam intenções
Nunca, jamais percebidas,
Incrustadas nas ações.

Santificam heresias
Em planos da divindade
E apesar de altos vôos
Só do chão cavam verdade.

E até parecem gratos
Da condenação de ver,
Assim como a assumir
Um sacerdotal dever

De levar fogo ao trono
Fazendo acordar do sono
As colônias do poder.

 

BARROQUILHAS*

Nas madrugadas insones
Sinto o tropel de chegada,
Sem ordem, desarrumadas,
De palavras, letras, nomes.

Balançam, saltam, deslocam
Sem ritmo ou direção
E da inquietação
Algo parece que evocam.

Todas de tanto maduras
Encontram-se a se encaixar,
Como que a despertar
Do sonho que se inaugura.

Então se cruza o ensejo
Com o anseio ancestral,
Nivelando ao animal
O instintivo desejo.

E preterindo o futuro,
Faz da noite a luz do dia
E a esfera, por magia,
Amolece o papel duro.

Pois o papel do poeta
É deixar claro o escuro

*Primeiro lugar no Festival Jaci Bezerra de Poesia,
do Centro de Estudos Superiores de Maceió

 

OLHOS DE ÍNDIO

Isso de olhar
Um sopro de folhas
Que caem rítmicas
E frenéticas
De uma árvore...
Ou outras
Que brincam com o vento
De serem bandeirolas,
Tira-me o tempo
De olhar pras horas.

 

DESMUNDE

Como é tolo acreditar nas palavras!
Como é tolo acreditar!
A vida é beijo, é esquiva,
Depois do almoço, o jantar.

Quem reza o terço da vida
Não conta a mesma conta,
E se o faz é cativa
Do mundo, seqüência pronta.

Trinca de ás, sonho besta,
Quando o garçom traz a nota
Da conta

 

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

Meu povo,
Deixai de ser meu!

 

A EXCREÇÃO É A REGRA

O mal não sai da boca do homem!
Pra bom entendedor
Meia palavra é bosta.

 

DO FUMANTE

O fumante adverte:
O Ministério da Saúde
Faz mal a saúde

 

SEM FRANCISCO

Onde houver fé
Que eu leve à dúvida

 

DIÓGENES

Respirar,
Cair no ar.
A velocidade e a contemplação.
O pensamento de cores,
A lembrança musical,
O tabaco degustado
Além do bem e do mal.
Banho de sol
Livre, sem a muleta
E sem amuleto.

 

arte-pos-contemporanea.blogspot.com

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

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