| ANTROPOMAGIA
Evoé! Manguerreiros da frevolução!
Recifestivo pelos maracatoques olindançantes
das cirandanças ritmusicais pernambacantes.
Antropomágico pela poemanação brasilúdica
dos transversos no planetemplo ambientao
Assim como os cantupys e africantos que nos angolegram
o artesudo corpoema literatua através
do transencanto mutântrico das namoramizartes
Woodstoque-se para a aquarianarquia de uma transcomuna
em seu barco-íris a navegar pela mentenet
(alucinave visionírica argilosamente cogumelada num bacannabis)
Radicalmos, vidançamos na dimensidão deste vacio iniciócio
agorantes da frutura ousadia-a-dia de nos liberdar
experimentalizando nossos limitos rexistenciais
Transsentimos nessa caminhandança a nascenternura
da metamorfase das borboleves germeninas
E em meio a singularejados vibrasons
suaventamos por entre as árflores da refloresta
tudo que os fomens agradeservem
e que lhes ocorresponde
enquanto se surrealizam como criatores.
AOS FOMENS
(a Josué de Castro)
A fome não existe somente
Quando some a vontade de comer
Some a esta falta
Uma outra causa que falta dizer:
É preciso entender
Desde o início
Que se colhe a carência
Plantando desperdício
Pra servir na mesa da partilha
Sem precisar de guerrilha
O prato da cultura em vigor
É ainda necessário aos que comem
Que a força criadora do homem
Produza um novo modo de consumo
Que prescinda de absorver
A carne que cresce apenas pra morrer
E distribua melhor os grãos
Que alimentavam essa carne e seu povo
Cozinhando as sementes de um tempo novo
Que se enraíza no poder
Da terra, de nutrir quem nela viver.
BIOLÓGICA
Estou certo!
Estou certo que o erro está sempre por perto
Mas o mal normal não ocorre por acaso
E pra ser coerente
E encontrar um nexo
Na formação da corrente
Cujo elo é o paradoxo
Basta apenas ser fluente
Pois é lógico que a lógica
Precisa da loucura
Para ser tão precisa
No que diz quando deduz
O que sempre se reduz
Ao que a razão entende
O que não se extende
Ao que a intuição alcança
Quando a gente dança
A semente se lança
No chão da vida
E a terra engravida
Dessa nossa vontade
BRASILIVRE
Muita terra ainda resta
Tornar-se refloresta
O presente é a semente do fruturo
Quero ver do planeta sumir
A obcessão por consumir
Que se acabe com tanto desperdício
E se possa partir de novo início
É urgente que o povo dessa nação
Se livre da nefasta corrupção
Que o homem deixe de ser mesquinho
E haja uma abundância de carinho
Enfrentemos o poder autoritário!
Ninguém precisa de governo arbitrário
Todo egoísta é uma pessoa doente
Com mania de ser prepotente
E o que nele é mais horrível
É sua apatia de ser insensível
Ao produzir uma monotonia enorme
Que a tudo reduz e torna uniforme
Quem de seu próximo se sente separado
Acaba por fim se vendo isolado
Mesmo quem gosta de viver solitário
Se alegra em sentir-se mais solidário
Quem não consegue existir sem fazer guerra
Não conhece o prazer de viver nessa terra
Com o amor que flui de coração pra coração
A vida há de espalhar sua canção.
FLOR DO ASFALTO
Poesia!... Te queria nua, como na palavra flor...
E mesmo que eu dissesse flor, fezes, fogo
Ainda não estaria inteiro
Em tua beleza, degradação e incêndio!
Que a poesia tem disto:
De escapar, de esconder-se
De sair pelo mundo carregando no peito
Algo de tempestade, vulcão ou maremoto
Pronto a inundar a praia espumante
De quem quis ser dono do azul do mar
Lançar-se na paixão rebelde
Antes que a terra se abra em fendas
E a gente afunde sufocando amores...
Fazer do sonho a matéria orgânica!
Onírica em versos de paixão-mulher
Diluição da infância que se faz vento
Pra soprar levezas de um lirismo-pássaro
Até voar!... E voar com olhos bem abertos
Sendo a ave de rapina daquela gente podre
Que não sabe da merda o que ela tem de estrume
Pra fertilizar o solo das nossas paixões
E comer...e comer teu corpo
Em tudo que nele se faz desejo
Na cor da pele, dos olhos ou da blusa
O mesmo blues que nos leva à dança
Pois amor faremos sob o céu
Sob o sol e a chuva que nos molhar
Liberando um cheiro no ar
Quando somos mata úmida a secar
Pois era flor o que se abriu em chamas
E se lançou do esterco de um solo fértil
Reunindo fogo e fezes numa bela flor
Encontro de pétalas e olhos através da cor
Colorindo a vida de quem quis poesia...
INFINIETZSCHE
Infinitivamente agradecer:
Pela revelação visionírica
da morte de Deus
e da divina natureza do esforço sobre-humano
no sentido de tornar-se o que se é
Pela apolínea apologia do dionicínico
fêxtase
de celebrar tudo que a vida vem a ser
Pela felicidádiva de ir além de si
mesmo
e dizer amém ao bem
e amem ao mal também
Pela loucura da sensibilidade
que agradeserve à transmutação do coração
Por transsentir a essência de cada fenômeno
através da aparência que o inconscientista da Gaia Ciência
examina
Pela ousadia-a-dia que a genial genealogia da moralma
nos incita a experimentalizar
Pela revolição da potência de
vidançar a existência
com a originalidade de uma criança
Pela inspiração transpiradora do corpoema
do fomem transcendentao
Pela poemanação da respiritualdade
teatrágica ditirâmbica
Pela sincronicidade da metamorfase do ocaso da causalidade
Pelo fruturo do moderno retorno do eterno devir. |