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Helder Coelho
(1966 Araripina/Pernambuco)

 

 


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SONETO À POETISA CIDA PEDROSA

Tomo vinho e bebo Cida Pedrosa
Vou cantá-la em verso e prosa.
Enquanto o cheiro do vinho me inebria
Desnudo na rede da varanda sua poesia.

Entre um trago e outro, sinto o Gume
Esse lado afiado em seus versos.
E viajo e viajo feito um vaga-lume,
Na noite escura, rumos diversos.

Bebo Cida, visto e visto sua poesia,
Vivo a vida tal qual um moleque,
Subo montes e abro esse leque.

De ver a vida sobre vários ângulos
De sangrar e sentir seus coágulos,
Todo sólido, todo gás e toda energia.

 

SONHAR É PRECISO

Eu preciso extravasar o meu peito,
Toda energia que trago num poema.
Pois, o estresse diário impõe um lema...
E sensato ou não, sigo o que é de direito.

É preciso amar e ser amado
É preciso viver e viver é sonhar,
Esses sonhos correr atrás amar.
Pois, sonho só é sonho atado.

“Mas, sonho que se sonha junto”
Já dizia Raul Seixas é conjunto
É real, realidade, é tudo encantar.

Portando, sonhe, queira e corra...
Atrás de seus sonhos e não morra,
Sem antes registrar o seu cantar.

 

O NOVO

O jogo do novo é adrenalina,
E é preciso estar preparado.
O novo é pura nitroglicerina,
É preciso ter muito cuidado.

O novo empolga, contagia,
É energia que excita, o eu.
O novo é risco, e sua magia,
Alguns resistem ao seu breu.

No novo vejo janelas ao sol,
Como é porta fechada à sorte.
Entre velho e o novo o norte.

Que pode levá-lo ao arrebol,
Essa beleza divina que o Pai,
Nos dá quando à tarde se vai.

 

SONETO À SORTE

O mundo ideal será que existe?
São vários pontos de vista.
São olhos que diante da pista
Cada qual defende o seu liste.

E, o mundo, real é realmente
O que maquiamos em nossa mente?
Ou a fantasia é essa serpente
Que inventa e rouba o nosso pente.

Deixando-nos de cabelo assanhado
Como um corpo que foi eletrocutado
E perdeu o seu norte, a sua sorte...

Deixando-nos de cabelo em pé
Como um corpo que perdeu sua fé
E encara de joelho a sua morte.

 

MUSA INGÓGNITA

No teu caminhar vejo um poema
Nas tuas costas nuas um dilema.
Tentação aos meus olhos de lobo,
Provocação que seduz esse bobo.

Teu olhar me deixa por um fio,
No cio, arrepio, um cão vadio.
Querendo o teu devasso amor,
Entrar na entranha sem pudor.

No teu riso mais que encanto
Preciosidade eu defino a arte
Defino o belo, o puro, o canto.

E ao calar-me ouvir tua voz no ar;
Paro meu canto beleza à parte.
Calo minha arte, vibro o teu mar.

 

O CIGARRO

O cigarro não trago, é vago,
No peito eu rejeito seu feito.
Catarro que trago, engasgo.
Aloja no meu peito, seu leito.

O cigarro acesso ao vício eu caio,
Deixa-me preso e preso não saio.
Princípio eu desfio e então desfio.
Ao corpo e mente o ócio, o vício...

Fumo, e traça e gera, fumaça...
Que passa e cruza toda sala,
Instala, entala, abafa e cala.

Fumo! O ambiente pede não faça!
Fumaça, pois o ar escasso respira,
Com dificuldade e da sala se retira.

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor


INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos