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Graça Nascimento
(1954 Canhotinho/Pernambuco)

 

 


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soneto aos sonetos

São só sonetos que me tomam em poesia
Nesse momento que atravesso em criação
É dessa forma que traduzo a emoção
Que quando escrevo no meu peito principia

Com oito linhas a estória se inicia
E com mais seis eu dou o laço no cordão
Que envolve firme e amarra o coração
Que explode em rimas e alguma coisa cria

É aos sonetos que dedico este soneto
Fidelidade aos seus traços eu prometo
Pois gozo sempre que me perco em suas linhas

E ao cria-los eu me crio em suas formas
Na natureza que se impõe alheia as normas
Que se liberam e não são deles nem são minhas

 

Dança da Dor

Sentindo a dor universal que me domina
Relembro Augusto já levado pelos Anjos
Solto meus sons e busco louca seus arranjos
No infernal tom dessa vida que alucina

E toda dor que há no mundo se combina
Me faz dançar o som que vem de estranhos banjos
E crio passos pra demonios e arcanjos
Que bailam morte e esse bailado me fascina

E nessa dança de agonia e desespero
Solto meu corpo sensual como o primeiro
Impulso louco que tive de ser feliz

Mas sou parada pela sensação de morte
Que interrompe esse concerto dando um corte
Que para sempre há de deixar a cicatriz

 

ROLANDO EM ROLAS

Cada uma com um quê particular
Todas foram num momento especiais
Nelas li as partituras colossais
De gemidos que espalhei por todo ar

Cada uma conseguiu me deflorar
Pois a todas dei momentos virginais
Umas menos, já outras tiveram mais
Conseguindo o que souberam conquistar

Uma a uma me levaram em viagens
Me mostrando nova cor novas paisagens
E deixando o meu caminho iluminado

Mas preciso confessar em poesia
Se eu pudesse todas elas trocaria
Pela rola singular do meu amado

 

 

Fonte:
Poemas enviados pela autora

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