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Gildete Lino de Carvalho
(1941 Petrolina/Pernambuco)

 

 


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VIA CRUCIS
IXª ESTAÇÃO

Tamanha é a exaustão do Cristo
que segue trôpego!
Que difícil caminhar!
Pela vez terceira, cai.
Ai!...

Já não anda o retirante,
nem braços p’ra se apoiar.
O corpo já flagelado
de buscar
não encontrar.
Menos vida, mais morrer,
é assim seu caminhar!

 

AMANHECER

Em mim
qualquer coisa
de poeta
que vagueia
como pássaro
desgarrado do bando
ou como sonhos em bando
esvoaçando.

Em mim
qualquer coisa
de menino
que se foi

Em mim
o corpo cresceu
o peito respirou mais fundo
e o mundo inteiro meu!

Em mim
a sensação do simples
o profundo no superficial
e o superficial tão fundo
e o mundo?
e eu?

Qualquer coisa em mim
que vagueia
como passo de poeta
como sonho de menino
no hino
no cortejo
na festa, na bandeira

do divino
desfraldada
quando criança
eu era.

Qualquer coisa em mim
que é fausto e festa
num amanhecer
que já de longe veio vindo!...

 

 

Fonte:
Poética Ribeirinha – Antologia Literária de Petrolina
Elisabet Gonçalves Moreira
UPE - 1998

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