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Frederico Barbosa
(1961 Recife/Pernambuco)

 

 


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NOITE BRANCA

insônia sem seu corpo
desejo no vazio
frio e chuvoso

hora tanta larga e lenta
sem sono sem movimento

só um som se inicia nesse suspiro
imagem insidiosa e incendiária
esses "ésses" se insinuando
na memória das suas curvas
no sonho silêncio dos seus seios

 

AO GOSTO

dizem:
todo sabor
é ilusão

mas a língua
(na língua)
desemboca oásis

devota-se
ao gosto:
devorar miragens

 

JEANS

A carne forçada
sob a calça jeans
quase explode
querendo sair.
O tecido vibra
fibra a fibra
trêmula grade
implodido jardim.

Enquanto a carne
flora pura
implora em si.

 

 

meu céu
sua boca jorro mel
porra louca

 

 

Fonte:
http://fredbar.sites.uol.com.br/

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos