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FRANCISCO ESPINHARA

 

FANTOCHES

Os fantoches da rua Sete
Seguem cegos na procissão.

A puta diurna da Palma
Traz uma venérea na alma
E uma cova diária na mão.

Da Ponte Velha a secular ferrugem
Reticente ao trajeto branco da nuvem
Come o estrado, o arco, o vergão.

Os poetas esquecidos no beco
Transam sangue a trago seco.
Dormem como trapos sobre o chão.

Recife, musa, maldição
Cadela suja, traiçoeira
Seta certeira
Encantada cidade do cão.

 

 

 

 

Nasceu em 1960, na cidade de Arcoverde e passou a morar no Recife aos 6 anos de idade. Foi um dos coordenadores do Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco, na década de 80, e participou da vida literária local ativamente.
Foi editor do Jornal Alternativo Lítero Pessimista e publicou os livros: Vida Transparente (1981); Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco - histórico e coletânea (2000); Sangue Ruim (2005); os livretos: A batalha pelo poema, Teje preso, seu rapaz e Dose dupla. Participou das antologias do Conselho Municipal de Cultura - Revista Arrecifes (1985), Poesia do Recife (1996) e produziu o CD Vários Poemas Vários - 25 poetas contemporâneos (1999).

Em julho de 2006, publicou o livro Bacantes, organizado pela INTERPOÉTICA, firmando um etilo próprio de escrever pequenos contos, já iniciado no livro Sangue Ruim. No dia 22 de dezembro de 2006, durante a festa de comemoração do Natal dos poetas pernambucanos, lançou o livreto Claros Desígnios em parceria com o poeta Erickson Luna. O poeta continuou firme na luta e no ofício e continuou produzindo a todo vapor, até a sua partida em 13 de fevereiro de 2007.

 

música: Up Around the Bend (Creedence)

foto: Flavio Neri

   

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INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos