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França
(1955 Cabo de Santo Agostinho/Pernambuco - 2007 Recife/Pernambuco)

 



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Vamos continuar comendo porcarias
Fodendo as marias, bebendo excreções
Fazendo mais josés que nos puxarão os pés
Antes de aterrissarmos em poderosos tapetes

Voadores

TNT-BUM, BHT-BUM, BNH-BUM, DDDT
ML IML de antecadáveres; VHS, UHS e
nenhum sinal dela
Aqui entre minhas pernas,
SOS pedindo socorro em silêncio

Sepulcral

Teatral. Teatro ateu e platéia plebéia
Povo politicamente falando: Po-vo!
Aleluia! Aleluia! Barrabás!!! BARRABÁS!!!
PMDB-PEFELÊ-PTT, pra que ter?
Enquanto o voto obrigatório
detona o país há quem pinte

Pontes

 

 

Nem bem começou a grande crise
Quando a classe media abarrotou
Os ônibus urbanos com sua boca
Cheirando a cream-cracker com café
E deles mudou-se o itinerário
Para acomodar sua bunda
Inflada de ócio e de tédio
E neles entrava madame- sobe, motô
E saía simples passageira- desce, porra!!
E tomava de assalto com seu salto alto
A enorme ladeira sentindo náuseas
Com o cheiro forte da zona norte:
Quem pode mais do que Deus?
Ia entre rezas e benzeduras pedir a benção.
Da preta fala, da boca torta, da língua morta
A lhe dizer, cheia de vida:
- Tu vais morrer,querida!

 

 

Onze horas,
onze anos de idade,
um botijão de gás
asfixia a criança
que sobe, ligeira, a ladeira
e à força das gravidades
não poderá mais crescer

sete horas,
setecentas cabecinhas
dentro do ônibus sagrado
Rezam sete ave-marias
De sete em sete segundos
E à força das gravidades
Não poderão mais subir

Meia-noite
Brasil do ano dois mil
Explode em artifícios
Camufla o novo holocausto
Sacrifica ao deus-bezerro
E à força das gravidades
Muito sangue há de correr

Sim, nós temos super-heróis
Só não estão na TV
Nem nas áreas de lazer
Em qualquer dificuldade
Em caso de overdose
E à força das gravidades
Chamem o Batmam!

 

 

Vens tão mansa
Vens tão bela
Que fechas as portas
Atrás de ti
Vens...vem... vem...
O gato brilha
A porta geme
A tua mão me descostura
Ao sabor do vento
E agora te vejo precisamente:
Vais?
Vens ou vais?
Vem e vai!
Ou sou eu que
Não sei se sou tobogã
Ou gangorra?
Masmorra
Tronco
Calabouço
Porão do teu âmago
Me vejo tão dentro de ti
Que cacimba te mataria a sede?
Se não fosse pelo teu
Sabor acidoalcalino,
Abacateabacaxi
Eu não saberia
Se tobogã ou gangorra
Te atrairia hoje!

 

 

Arde ávida a acidez
A agonia arranha, bale,
Bole, berra, bate brutamente.
Corre calado cúmplice cão
Cujos dentes dignos de devoção
Decerto devoram espada e esporas
Enquanto famintos, furiosos felinos
Grudam-lhe garras grossas.
Hoje hospedam Homeros, Horácios
Imponentes igrejas impotentes
Jesus, Judas, jogam, jantam juntos
Lêem loucos livros lúcidos lamas
Mas mestres místicos, maconha,
Metem medo. No ninho, nascem
Novas noivas néscias
Outras ostras ocultam pérolas, porém.
Pretos pedem pão. Povos põem panos quentes.
Quem quer querelas?
Rotulam rocks. Rejeitam reggaes.
Súbito, surgem sangrentas sarjetas
Transamazonicamente.
Transcontinentalmente.
Tão tristemente!
Unhas untam úberes universalmente.
Universidades? Vomito-as.
Vêm vindo vozes:
Xiiiiiii....
Xangô?
Xenófobos?
Zeza?
Zumbi?
Zarpemos?
Zeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeemmmmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!

 

 

Fonte:
Marginal Recife
Coletânea Poética I
Recife 2002
Prefeitura do Recife - Secretaria de Cultura Cidade do Recife
Organizadores: Cida Pedrosa, Miró e Valmir Jordão

 

INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos