| Conto
No meu conto,
Não havia fadas
Não havia príncipes
Não havia sapatinhos
Não havia charrete
No meu conto,
Havia sonhos
Havia amor
Havia saudades
Sem fadas ,
Não vi o príncipe
Não fui ao baile
Não fui princesa
Não perdi o sapatinho
Fui apenas gata borralheira.
CANTO VII
A dor é Erva-daninha
Que chegou sem avisar
E fica morando
Debaixo dos meus lençóis
A dor chora e rir
Da minha situação
Que fico daqui e ali
Dentro da escuridão
A dor aperta minha mão
E fica a me olhar
Que sem nenhuma palavra
CANTO IV(in memória)
Paulo morreu
As letras choraram
Os verbos gritaram: - ele vive!
Os pronomes responderam: - em mim, em ti, em nós
Freire morreu
Os adjetivos afirmaram:
-Melhor, fantástico, maior
Os advérbios disseram:
- sempre..sempre Freire
nunca...nunca...coelho
Os substantivos diziam:
- é Paulo, é Freire, é Pernambuco
É vida, é leitura, é coração, é
educação.
A ASSIS DOS ASSIS
Os teus azuis estão sumindo
Misturou-se com o azul do céu
Foi naquela madrugada, lenta e fria
Era junho, por isso doeu tanto
Hoje a saudade reflete no espelho
E a tua imagem na fogueira
Nos olhos de São João,
Estão os teus
Na fogueia o teu calor
Na noite de São Pedro,
Vi as tuas mãos trazendo gravetos
Para acender a fogueira
Ouvi teus gritos
Chega Senhora, vem ver o fogo
As dores desapareceram
No desenrolar do verso,
A noite se compadecia
Da tua alma a chorar
O vento chegou dizendo
Que não há mais fogueira
Só há canto dos pássaros
Com saudade de ti
O céu está vibrando
Com a tua chegada
Mas a terra está chorando
Com saudades de o teu caminhar.
Canto VIII
No barulho das bombas,
O verso tremeu de medo
Saiu correndo e entrou no meu texto
Canto XVII
Eu tenho um anjo
Que não é torto
Tenho Maria
Que não é das Dores
Tenho a força
Que não é de he-man
Tenho marcas
Que não são de Serena
Tenho dores
Que não são de Camões
Tenho amor
Que não é fogo
Que não arde
Que não queima
Eu queria ser
Eu queria ser Bandeira e fazer um poema
Queria ser Drummond e encontrar a pedra
Queria ser Cecília e ser poeta.
Sou Bandeira sem poemas
Sou Drummond sem caminho e sem a pedra
Sou Cecília que se perdeu no espelho. |