Juareiz Correya*
Em maio de 2006, festejando o 111º aniversário de nascimento
do poeta Ascenso Ferreira, com o lançamento do livro OUTROS POEMAS
& INÉDITOS, o Recife teve a oportunidade de promover também,
no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, o lançamento
do projeto Dia de Ascenso (9 de Maio), criado para
homenagear o poeta no seu aniversário de nascimento e animar,
naturalmente, no seu dia, produções intelectuais e artísticas
que reverenciem e relevem o nome de Ascenso Ferreira. Figura significativa
da poesia pernambucana – e nordestina e brasileira – da
década de 20 à década de 60 do século passado,
poeta singularíssimo que soube, como ninguém, ser erudito
e popular em sua criação, Ascenso Ferreira é inspiração
constante para outros poetas e artistas e motivo permanente de estudos
e pesquisas de jornalistas, professores e estudantes. Por força
disso, a realização do Dia de Ascenso,
no Recife, em cada aniversário de nascimento do poeta, apresentará
cursos, concursos, exposições, espetáculos musicais
e teatrais, palestras e lançamentos de livros que evidenciarão,
para o Recife e para Pernambuco, como a poesia de Ascenso Ferreira continua
viva e se projetando para o futuro deste novo século e deste
novo milênio.
O Dia de Ascenso,
em maio / 2007, festejará o 112º aniversário de nascimento
de Ascenso Ferreira. A iniciativa da Panamérica Nordestal Editora
contará com o apoio cultural do Gabinete Português de Leitura
de Pernambuco, Fundação de Cultura Cidade do Recife /
Prefeitura do Recife, CEPE/Governo de Pernambuco e de centros universitários
do Recife e de Olinda.
Nesta primeira década do
Século 21, a obra poética de Ascenso Ferreira –
que é um trabalho artístico brasileiro relevante do Século
20 – continua motivando o merecido interesse de estudiosos, editores
e produtores culturais : o lançamento, no Recife, do livro OUTROS
POEMAS & INÉDITOS, de Ascenso Ferreira, obra póstuma
organizada por Juareiz Correya, contou com o apoio cultural da CNI-Confederação
Nacional da Indústria, por iniciativa do seu presidente, Dr.
Armando Monteiro Neto, que promoverá lançamentos também
em Brasília e em São Paulo ; o cineasta pernambucano Marcos
Hanois Falbo realiza um documentário de média-metragem
sobre o poeta, com o apoio da Fundação Joaquim Nabuco
/ Ministério da Educação; a editora paulista Martins
Fontes publicará uma nova edição do livro POEMAS
DE ASCENSO FERREIRA (CATIMBÓ – CANA CAIANA - XENHENHÉM
), a ser distribuída em todo o território
nacional ; e a Panamérica Nordestal Editora, do Recife, prepara
a edição da nova fortuna crítica do poeta, dando
seqüência ao trabalho de Souza Barros, que publicou a primeira
parte da fortuna crítica do poeta em 50 ANOS DE “CATIMBÓ”
(Editora Cátedra/INL, Rio, 1977).
Com o título ASCENSO FERREIRA
: MAIS TEMPO DE “CATIMBÓ”, a nova fortuna crítica
do poeta, organizada por Juareiz Correya, englobará mais de 40
textos de escritores, jornalistas e professores, publicados em livros,
jornais e revistas a partir da década de 1980, quando o poeta
voltou a ser editado, até os dias de hoje. São artigos,
reportagens, depoimentos, crônicas, estudos de autores pernambucanos
e brasileiros : Letícia Lins, Waldemar Lopes, Jessiva Sabino
de Oliveira, Roberto Benjamin, Maximiano Campos, Paulo Cavalcanti, Heber
Fonseca, Paulo Fernando Craveiro, José Cláudio, Lucila
Nogueira, José Teles, Nagib Jorge Neto, Veríssimo de Melo,
Miguel de Almeida, Raimundo Carrero, Bezerra de Lemos, Manoel Onofre
Jr., Jefferson Del Rios e José Castello, entre outros.
Quando publiquei, em 2001, o
perfil biográfico do poeta – ASCENSO, O NORDESTE EM CARNE
& OSSO -, destaquei o último capítulo do livro com
uma relação de edições, reedições,
gravações musicais, teatralizações e documentários
televisivos que evidenciaram a importância da sua obra até
as duas últimas décadas do Século 20. E encerro
este artigo com as mesmas palavras, desse capítulo, que davam
(e dão) a medida da atualidade do poeta :
“Neste ano de 2001, a Escola
de Samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, conquistou o tricampeonato
carioca, na Marquês de Sapucaí, no grande desfile das escolas
de samba do Grupo Especial, com o samba-enredo “Cana caiana,
cana roxa, cana preta, amarela, Pernambuco ... Quero vê descê
o suco, na pancada do ganzá”, título inspirado
em versos do poema “Trem de Alagoas”, de Ascenso.
O poeta que, com a sua poesia
originalíssima, talvez “intraduzível”, como
observava Sérgio Milliet, nos revelou um Nordeste autêntico
e puro, flagrando parte da sua transformação no Século
20, chega ao novo século e ao terceiro milênio reeditado,
regravado, filmado, televisionado: está vivo e eternizando o
século em que viveu.”
*JUAREIZ
CORREYA, diretor editorial da Panamérica Nordestal Editora,
do Recife, é editor e biógrafo do poeta e idealizador
do projeto DIA DE ASCENSO.

Lourdes Medeiros, esposa de Ascenso Ferreira
A cavalhada
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis,
Alegria nervosa de bandeirinhas
trêmulas!
Bandeirinhas de papel bulindo no vento!...
Foguetes do ar...
— "De ordem do
Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai começar!"
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...
— Lá vem Papa-Légua
em toda carreira
e vem com os arreios luzindo no sol!
— Danou-se! Vai tirar a argolinha!
— Pra quem será?
— Lá vem Pé-de-Vento!
— Lá vem Tira-Teima!
— Lá vem Fura-Mundo!
— Lá vem Sarará!
— Passou lambendo!
— Se tivesse cabelo, tirava!...
— Andou beirando!...
— Tirou!!!
— Música, seu mestre!
— Foguetes, moleque!
— Palmas, negrada!
— Tiraram a argolinha!
— Foi Sarará!
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Fitas e fitas...
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis...
— Viva a cavalhada!
— Vivôô!!!
— "De ordem do
Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai terminar!"