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Fernando Sales
(1980 Caruaru/Pernambuco)

 

 


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Avesso

Amor...
Sentimento esdrúxulo que decepa as asas da gente
Consome o ser lentamente
Esfacelando todos os sentidos
Que o vento carrega em um leve sopro
Procuro por ti
Não te encontro
Estás ausente...
Devo seguir a minha estrela
O destino sempre me quis só
Dou voltas infinitas
Por caminhos obscuros e estreitos
Minha alma vive a vagar
No avesso de uma dor.

 

Poetar

à Irene Lima Marques

Quem me dera ser como o poema
Carregado de sentimentos
Transformador da palavra
Universal
Ir além do impossível

Quem me dera ser o poeta do pensar
Ser o poeta do sentir
Ser o outro

O que me resta
Recolher-me ao esconderijo
Dentro de mim mesmo
Um interior sarcástico
Abraçar a dor
Do poetar

 

Afago à Ana

à Ana Maria César

Amizade Assoma do Amor
Amável Amiga Alegre
Anjo de Asas Alçadas
Auspiciosa Arquiteta da Aliteração
Alma Abrasileirada
Acalentada Assiduamente
Ainda Adornada de Alegria
Amabilidade Aflorando
Acalentando o Âmago Alheio
Assim Abençoada Avivarás

 

Saudade

à minha avó Altina (in memorian)

Vivo a esperar-te ansiosamente
Sonho a cada dia com a tua chegada
Anseio por um simples olhar teu
O destino levou-te para longe
Um lugar onde esperas por mim
As horas parecem não passar
O tempo é sórdido
A distância é fútil
Os obstáculos são ineficazes
A dor é inefável
A paz está ausente
Minha alma é invadida
Por uma saudade avassaladora
O meu "eu" clama por ti
Espero pelo nosso encontro
Como recompensa do meu penar
Assim...
Reconstruir meu coração
Dilacerado pela tua ausência

 

 

Fonte:
Poemas enviados pelo autor

 

 

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