Olímpio Bonald Neto
Ser escritor para mim
sempre foi o Destino e a Vida...

Entrevista concedida pelo escritor a André Cervinskis
André Cervinskis: Fale um pouco de sua trajetória literária e processo de criação.
Olímpio Bonald Neto: Comecei aos 16 anos, gravando poemas adolescentes e estórias idem. Aprendi fazendo, errando e consertando. Há um soneto que passei 40 anos para terminar...
Você é membro de várias academias e ativo em todas elas. Como vê o papel das academias na sociedade e a função do acadêmico em especial? Acha que há realmente um “elitismo” e “clientelismo/coleguismo” para ter acesso a elas?
As sociedades literárias são como espaços sagrados de literatura, especialmente para os mais jovens, ou para os escritores essenciais, de origem, que ainda não assumiram os seus valores naturais.
Fale-nos um pouco da experiência da sociedade dos Poetas Vivos de Olinda (SPVO).
Esta tão singular sociedade veio à luz no fim de uma Feira de Cultura Olindense, em 1997, em recital na varanda centenária de um dos sobrados da mágica cidade Duartina com estrofes cascateando pela Ladeira do Bonfim, do Alto da Sé ao Monte do Carmo, para ir constituindo a associação impar há mais de 10 anos.
A SPVO, nunca deixou de se reunir mensalmente, já editou seis Antologias Poéticas e vive sem Lei nem Rei, sem Estatutos nem Diretoria, sem normas, nem regras, nem mensalidades, sem arquivos nem livros caixas, sem conta bancaria, sem cartão de credito, sem patrimônio material e sem nenhum dos redutores discriminantes inventados pela ganância capitalista e manipulados pelas “patas sujas do Estado” como dizia o venerável poeta Waldemar Lopes. São, pois, trovadores e jograis esses libérrimos poetas olindenses.
Foi um relâmpago, um raio, um clarão e luz e poesia que nos conquistou depois de declamarmos, no fim da feira do livro do Bonfim (Espaço de Arte Frans Post). Continua sendo o nosso Laboratório de Arte literária e fraternidade em redor da POESIA.
No tocante á ensaística, como percebe o panorama de Pernambuco hoje? Que nomes você destacaria?
Há muitos nomes realizando bons trabalhos no campo do ensaio, a dizer que a crítica ganha espaço entre os estudiosos da literatura.
Quase as dificuldades e benefícios de ser escritor no Brasil?
Somos e seremos sempre poucos. Lidamos com um ofício que é uma rara arte. Uma arte que exige parceria ativa com o leitor e prestígio da mídia. Não é faácil nem materialmente compensador ser escritor. Escritor independente aqui e em qualquer lugar é um visionário... Mas para mim sempre foi o Destino e a Vida.
(novembro de 2008)
ANDRÉ CERVINSKIS é escritor, ensaísta e Mestrando em Lingüística – PROLING-UFPB
acervinskis@yahoo.com
Olímpio Bonald Neto da Cunha Pedrosa nasceu na cidade de Olinda, a 17 de outubro de 1932. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais (Faculdade de Direito do Recife, 1957), em Artes Plásticas (Escola Livre da Ribeira, 1960), e em Planejamento do Desenvolvimento Turístico (Cicatur, OEA, México, 1974). Fez Pós-Graduação em Jornalismo Político. Sua trajetória profissional engloba a advocacia cível e trabalhista e seu trabalho como procurador autárquico federal. Fundou o curso de Turismo da UNICAP, onde leciona e é Professor-Fundador da Funeso, em Olinda. É membro da Academia Pernambucana de Letras, do Instituto Histórico de Olinda e de Goiana e da União Brasileira de Escritores/PE (instituição da qual foi presidente em 1990). É sócio-fundador do Centro de Estudos de História Municipal, da Academia Olindense de Letras, da Academia Recifense de Letras, da Academia de Letras e Artes do Nordeste e da Sociedade dos Poetas Vivos de Olinda. É vice-presidente da Comissão Nacional do Folclore e membro do Conselho da Associação de Impressa de Pernambuco (AIP). Participou do Conselho de Cultura do Estado, do Conselho de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda, do Conselho Editorial da FUNDARPE, além de tantos outros. Presidiu a Fundação de Cultura da Cidade do Recife e foi representante de algumas instituições literárias de Pernambuco no Conselho da Lei de Incentivo à Cultura em Pernambuco. Foi Consultor de Cultura da Cidade de Olinda. Desde 1950 colabora com jornais do estado. Como Antropólogo Cultural pesquisou sobre os bacamarteiros, que resultou no conhecido livro Bacamarte, pólvora e povo. É poeta, romancista, contista e ensaísta. Recebeu a Comenda da Ordem dos Guararapes do Estado de Pernambuco; o Prêmio na categoria Contos no concurso literário organizado pela Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, em 1957; o Prêmio de Poesia da União Brasileiro de Escritores/PE, 1966; de Ensaio pela Academia Pernambucana de Letras, em 1976; e o de Antropologia Cultural pela Fundação Joaquim Nabuco em 1990.
Livros: Um Negro Volta ao Mangue (1957) (contos); O Homem que devia ter Morrido há três Anos (1966) (contos); Uma noite no Castelo (1985) (contos); A Loba e os Faisões (1992) (contos); Seresta em Tempo de Caju (1996) (contos); Tango-Reggae y otros cuentos (2007). O Urbanismo na Literatura, (1976) (antologia de contos); Contos de Pernambuco, (1988) (antologia de contos); Antologia do Conto Nordestino e Contemporâneo (1998); Antologia do Conto Nordestino Ano 2000; Dura e Breve História da Ilha do Maruim – 1961(poesias); Tríptico (1965) (poesias); Hinapino (1974) (poesias); Estudo de Cor na Zona da Mata Sul Pernambucana (1975) (poesias); Cantoria (1980) (poesias); Balada Bacamarteira no Alto do Bom Jesus (1983) (poesias); Praxis Amandi (1984) (poesias); O livro da Poesia (1990) (poesias); Violão de Rua II -1963 (antologia poética); Poética Olindense (1981) (antologia poética); Presença Poética do Recife -1969 (antologia poética); Carne Viva (1984), (antologia poética); Poetas da Rua do Imperador (1986) (antologia poética); Seleta de Autores Pernambucanos (1987) (antologia poética); Álbum do Recife (1987) (antologia poética); Presença Acadêmica (1993) (antologia poética); Poésie du Brésil (bilíngüe) (1997) (antologia poética); poesia e Vida – participou das Antologias da Sociedade dos Poetas Vivos de Olinda de 1998 ate 2007, Mormaço e Sargaço - I Antologia de Poetas Nordestinos e Contemporâneos” (1998) e Poemas de Sal e Sol - II Antologia de Poetas Nordestinos e Contemporâneos (1999); Os Bacamarteiros (1965) (Antropologia Cultural); Bacamarte, Pólvora e Povo ( 1976) (Antropologia Cultural); Palco e Palanque (1963 e 1988) (Antropologia Cultural); O Verbo e a Voz, em colaboração com Nelson Saldanha (1981) (Antropologia Cultural); A Arte do Entalhe: tradição artística Olindense (1985) (Antropologia Cultural), Os Caboclos de Lança: Azougados Guerreiros de Ogum (1987) (Antropologia Cultural), Gigantes Foliões em Pernambuco (1992) (Antropologia Cultural); Modernismo e Integralismo: a Ideologia dos Anos Trinta (1996) (Antropologia Cultural). Participou: Roteiro da Arte Popular de Pernambuco (1970), Ciclo Junino (1987), Antologia Pernambucana de Folclore (1988); Antologia do Carnaval do Recife (1991); Natal Pernambucano (1992). Também publicou na área de Ensaios Técnicos: Que é Turismo? (1973); Introdução ao Estudo do Turismo, (1975); Coordenação do I Plano Pernambucano de Turismo (1978); Turismo, Folclore e Artesanato: 15 anos de Ação da EMPETUR (1982); Cultura Turismo e Tempo: a fruição do intangível (1983), Aspectos da Receita Turística de Pernambuco, com a economista Marinalva Coelho (1983); Turismo Tropical: vocação regional e estratégia internacional capitalista (1984), Potencial Turístico do Nordeste, co-autoria com Zenaide Bonald Pedrosa (1986), Planejamento e Organização do Turismo (1978, 1986, 1989 e 1995) e Elementos do Plano e do Projeto em Turismo (1999).
Fonte: Porto das Letras
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