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CARLOS CARLOS

 

Coletivoraz

Partindo de um ponto básico
No meio deste itinerário errante,
Não esqueci o preço da passagem
Mas me perdi dentro do ônibus.

Como na vida,
Fora o motorista e o cobrador,
Tudo é passageiro,
Carrego duas resmas de cruzeiros
(poemas) no bolso
Mas acabei viajando
Agarrado no pára-choque mesmo.
Além do desconforto,
E de não poder pedir parada,
Pior é o perigo de cair no catabiu,
Meter a cara na cratera e,
talvez até, ser preso
É, acusado de danificar o asfalto!
Eu acho isso tão comum
Que já está ficando até monótono
Só não desisto da viagem
Porque não tenho medo
De acidente de percurso
Eu ainda chego em casa hoje!

 

 

 

Carlos Brito é Carlos Cardoso: Carlos Carlos.Compositor intuitivo, é também menos escritor de poemas que de prosa. O primeiro ano de vida foi na cidade de Valença (RJ), em 1959, depois, sete anos em Santa Maria (RS), mais trinta e sete na Veneza brasileira, viagens pelo Brasil e certa vez a Paris. Escreveu o livro A menina das matas (Você tem medo de cumade fulozinha?). Criou e editou o fazine PROESICANTEATROZ.

   
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INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos