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Patrono:   
   

 

ALTAIR LEAL

 

“SEXO SENTIDO”

Quando mamãe me sentiu lá dentro,
Corpo escorregadio, batalhas vencidas,
Ainda escutei o bater da água
No corpo do meu pai,
Suor e desejo, banho.
A cama, mera coadjuvante,
Descanso do guerreiro.
Os lençóis brancos e cúmplices,
O quarto, cenário ímpar
Germinando vida.
O acaso, me aguardando para o lar.
À noite ninando estrelas
Um beijo e o sono
E eu lá... dentro
Eles fora...
Bunda com bunda.

 

 

 

 

ALTAIR LEAL,
POR ELE MESMO
 

Nasci em Limoeiro-PE em 1960, e me criei nos cafundós de Olinda, Recife e Paulista, onde moro desde 1990. Sou membro da Unicordel-PE, da UBE-PE, da Academia de Letras e Artes de Paulista, do coletivo Oroboro e do Grupo Invenção de Poesia no Recife, trabalho a poesia como oficio cultural e social, não sei quando comecei a escrever, sei que foi a muito tempo. Sempre fui um poeta de gaveta, ainda tenho uma cheia de “porcarias” escritas por mim. De vez em quando dou uma geral e jogo fora o que acho necessário, não sou escritor de reescrever poemas, prefiro eliminar, a poesia é aquilo que somos no momento que escrevemos, outro dia já pede outro poema. Quanto à literatura de cordel, trago no sangue esta arte popular, tinha um tio que era violeiro e muito me ensinou sobre este tema, fecho os olhos e lembro-me dele recitando os cordéis que comprava na feira de Limoeiro, meu pai também vez por outra trazia cordéis pra dentro de casa, era uma festa.

Desde adolescente escrevo, mas poesia popular só depois de adulto, comecei a escrever poesia matuta e cordéis porque vi que me identificava mais com este tipo de literatura. Como gosto de declamar, consigo passar para o público a minha poesia popular com mais verdade e acima de tudo com mais identidade, pois apesar de morar a muito tempo no asfalto, fui criado no barro, chão batido, menino buchudo, comedor de bago de jaca, tanajura, lanchando muito açúcar com farinha... êita tempo bom!! Sou “mermo” é matuto, oxente.

 

música: Com gosto de Gás (Vates e Violas)

foto: Sennor Ramos

   

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INTERPOÉTICA © 2005 Cida Pedrosa & Sennor Ramos